Promotor vai pedir interdição da Zaeli
Vânia Moreira
De Umuarama
O promotor especial do Meio Ambiente em Umuarama, Pedro Valter Torrezan, enviou ontem ofício ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pedindo a interdição da Indústria de Alimentos Zaeli até que empresa recupere as lagoas de tratamento destruídas sábado à noite durante um protesto dos moradores do Jardim Alvorada, vizinho à indústria. Durante o protesto, um grupo de manifestantes abriu fogo contra a Polícia Militar, matando um e ferindo três policiais. Segundo o promotor, a empresa não pode continuar funcionando se está lançando os resíduos diretamente no Córrego Pinhalzinho.
Segundo o chefe do IAP, João Toninato, a Zaeli contratou um técnico especializado que chega hoje a Umuarama para avaliar os danos nas lagoas e buscar uma solução imediata para o problema. Toninato pretende esperar uma posição da Zaeli sobre o que pode ser feito para decidir se interdita a empresa.
Há 10 anos, os moradores da região reclamam do mau cheiro nas lagoas da indústria. A promotoria pediu análises da água ao IAP, que constatou a poluição. Há 15 dias, o IAP multou a indústria em R$ 80 mil e deu um prazo para apresentar um projeto de tratamento dos esgotos. Um porta-voz da Zaeli informou ontem que a empresa só vai se pronunciar depois que o projeto for aprovado pelo IAP.
No sábado à tarde, cerca de 400 moradores do Jardim Alvorada, o bairro mais próximo das lagoas, marcaram uma reunião e exigiram a presença de um dos donos, mas a empresa mandou apenas um representante. Outra reunião foi marcada às 17 horas e novamente os donos não compareceram. Irritados, cerca de 400 moradores do bairro, incluindo mulheres e crianças, invadiram e estouraram as lagoas.
A Polícia Militar mobilizou 40 policiais para tentar conter o quebra-quebra, mas foi recebida a pedradas e preferiu acompanhar o tumulto de longe. Por volta das 19 horas, um grupo de aproximadamente 100 manifestantes se deslocou até uma lanchonete a uma quadra do protesto e ameaçava quebrar e pôr fogo no estabelecimento. Treze policiais foram atender a ocorrência e quando se aproximaram da lanchonete, foram recebidos a tiros.
O terceiro sargento Pedro Paulo de Jesus, 28 anos, recebeu um tiro na virilha. A bala rompeu a artéria fenural e ele morreu de hemorragia duas horas depois. Os soldados Valdir da Silva, Alexandre Gaspar Sardi e Gerson Jesus de Souza também foram atingidos. Valdir da Silva recebeu um tiro no abdome que perfurou o intestino, está internado na UTI do Hospital São Paulo e ainda corre risco de vida. Sardi foi atingido no braço e Souza levou três tiros de raspão.
Segundo o comandante do Grupo de Operações Especiais (GOE) do 7º Batalhão da Polícia Militar em Cruzeiro do Oeste, o primeiro tenente Carmelito dos Santos, os homens que atiraram estavam escondidos num terreno baldio ao lado da lanchonete. Santos participava da operação e disse que a tragédia só não foi maior porque todos os policiais usavam coletes à prova de balas e ainda estavam longe da lanchonete. Pedro Paulo de Jesus fazia parte da equipe do GOE e estava casado há quatro meses.
O comandante da Companhia da PM em Umuarama, capitão Ronaldo Maciel de Oliveira, acredita que os policiais foram atraídos para uma emboscada durante o tumulto. Oito homens, entre eles três menores, suspeitos de terem atirado nos policiais, foram presos ainda no domingo.





