O promotor Ourival Santos Filho, que acompanha as investigações sobre a ação policial que resultou na morte de quatro rapazes, na Favela Monsenhor Guilherme, região central de Foz do Iguaçu, no último dia 10, anunciou ontem que vai pedir a exumação dos corpos.
Segundo ele, a exumação é necessária porque há divergências entre os depoimentos das testemunhas da ação policial e parentes das vítimas e o laudo de necrópsia realizado pelo Instituto Médico-Legal (IML) nos corpos. Parentes e testemunhas garantem que os quatro rapazes - três deles menores de idade - foram executados quando estavam algemados e não teriam reagido à prisão a tiros, como alega a Polícia Civil.
O laudo do IML, assinado pelo médico legista Jomar Giostri, afirma que não havia marcas de algema nos pulsos de nenhum dos rapazes. O documento, no entanto, dá margem à contestação de pelo menos uma das alegações dos oito policiais que participaram da ação: a de que os quatro teriam atirado contra eles.
O exame encontrou vestígios de pólvora nas mãos de apenas um deles, Adenilson Dias Matos, de 17 anos. A presença de pólvora pode indicar que a pessoa atirou, mas não tem condições de precisar em que momento.
O promotor Santos Filho disse que fará o pedido oficial da exumação à Polícia Civil na segunda-feira. Os novos exames deverão ser realizados na quinta-feira. O legista que elaborou o laudo deverá participar da exumação. Santos Filho integra uma comissão de três promotores designados para acompanhar o caso. Os outros dois são José Geraldo Gonçalves e Michele Rocio Zardo.

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