Curitiba
O promotor Vani Antônio Bueno não ficou surpreso ao saber que Ana Paula Carrara (foto), suspeita de integrar quadrilha de assaltantes, é a mesma jovem usada como ‘isca’ na operação policial ilegal que terminou com a morte do estudante Rafael Zanella. ‘‘Nós já desconfiávamos dela desde a fase de depoimentos sobre o crime’’, revela. Para ele, o novo caso só reforça a tese de que a ação dos agentes do 12º DP foi totalmente irregular.
Detida junto com a quadrilha que suspostamente assaltou o posto bancário do Banestado na Assembléia Legislativa mês passado, Ana Paula conseguiu liberdade provisória no início da noite de segunda-feira e deixou o 9º Distrito Policial de Curitiba sob fiança. Como informante do 12º DP, ela teria recebido dinheiro dos agentes para comprar maconha e incriminar Wilson Gevaerd, o Camarão, que estava com Zanella na noite de 28 de maio, quando o estudante foi morto.
‘‘Ana Paula foi levada pelo investigador Airton Adonski Júnior, que participou daquela operação, para depor sobre o caso na Corregedoria Geral da Polícia Civil’’, lembra o promotor Bueno, que considerou a situação muito suspeita. Segundo ele, o promotor que ficar com o processo a respeito da morte de Zanella deve anexar ao inquérito a prisão da informante por formação de quadrilha.
O delegado titular do 9º DP, Hamilton da Paz Júnior afasta a possibilidade de policiais estarem envolvidos com a quadrilha pelo fato de Ana Paula ser informante. ‘‘O que continuamos a investigar é se ela passou informações aos assaltantes sobre a rotina da Assembléia’’, cujo posto do Banestado foi assaltado dia 27 de maio. Na edição de ontem, a Folha do Paraná revelou que no prédio trabalham a tia da informante e a mãe de Adenilson Teixeira, o ‘Cisco’, suposto líder da quadrilha detida na manhã da última quinta-feira.

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