O juiz substituto da Vara Criminal da Comarca de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), Alexandre Gomes Gonçalves, poderá decretar nas próximas horas a interdição da Cadeia Pública de Arapongas. O pedido foi feito pelo promotor Dênis Pestana. Ele apresentou como justificativa a superlotacão carcerária e a falta de pessoal para manutenção da cadeia e seguranca externa.
Além da interdição da cadeia, o promotor está requerendo a transferência dos 38 presos para outras unidades prisionais até que seja construído ou ampliado o prédio de Arapongas. Pestana argumenta que a cadeia local tem espaço suficiente para abrigar 22 presos, mas já há algum tempo está funcionando quase sempre com o dobro da capacidade. Ele sustenta que não existem policiais civis ou militares para o controle e manutenção da estrutura.
Antes de dar entrada ao pedido de interdição, o promotor estudou minuciosamente a situação da Comarca de Arapongas, que abrange ainda o município de Sabáudia. De acordo com ele, a comarca conta com aproximadamente 80 mil habitantes e dispõe de somente oito policiais civis (um delegado, um escrivão e seis investigadores).
Conforme consta no requerimento enviado à Vara Criminal, Pestana argumenta que Arapongas não dispõe de carcereiros e agentes de segurança e que há uma evidente omissão das autoridades em oferecer não condições mínimas de carceragem.
A Folha tentou ouvir o promotor ontem e ontem, mas sua secretária informou que ele não poderia atender devido às várias audiências agendadas anteriormente. O juiz substituto também foi procurado. Ele disse que não iria se manifestar a respeito. Já o delegado José Carlos Bassalobre disse que o caso é de competência da Justiça.
Reforma Nos últimos dois anos a Cadeia Pública de Arapongas foi alvo de notícias de fugas de presos e rebelião, mas somente agora, quando está sendo concluída a reforma das instalações, surge o pedido de interdição do prédio. Policiais que preferem não se identificar estranharam ontem que o pedido de interdição não tenha sido feito no ano passado, quando a cadeia foi parcialmente incendiada durante uma rebelião ou após fugas de presos por causa da fragilidade do prédio e da superlotação.
Faxinal Situação similar à de Arapongas gerou a interdição do prédio da Cadeia Pública de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana), em dezembro de 1996. Na época, o pedido foi encaminhado pelo promotor Eduardo Diniz Neto, motivado pela estrutura deficiente do prédio, construído no início da década de 60, e pelas sucessivas fugas de presos.
O requerimento do Ministério Público foi atendido imediatamente pela Justiça. No entanto, até agora os presos da comarca estão nas cadeias de Grandes Rios, Borrazópolis, Engenheiro Beltrão e no minipresídio de Apucarana. A reforma e ampliação da cadeia, em parceria, com a Secretaria de Segurança Pública, devem estar concluídas dentro de dois meses.

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