A quebra do sigilo bancário do ex-diretor da Cipasa, Ibrain Jose Barbino, 55 anos, e de mais quatro funcionários da empresa vai render investigações complementares da Polícia Civil. Barbino é autor confesso do assassinato do empresário Ciro Frare, 67 anos, morto a tiros dentro da concessionária de sua propriedade. A complementação foi uma recomendação do promotor substituto da 1 Vara Criminal, Francisco Soares Filho, em parecer ao pedido feito pelo delegado Marcos Belinati.
O promotor alegou que faltam informações importantes para fundamentar melhor o pedido. ''Pedi uma complementação de dados e novas diligências para averiguar a necessidade da quebra mas o parecer não é conclusivo para mérito'', comentou o promotor que preferiu não detalhar quais informações estariam faltando.
Como o inquérito será encerrado nesta semana, o delegado Marcos Belinati disse que fará as investigações posteriormente. ''O promotor quer ter em mãos valores e datas específicas que só poderemos fornecer depois do encerramento da auditoria'', afirma. Um suposto desvio de R$3,7 milhões ao longo dos últimos quatro anos é tido até agora pela polícia como o principal motivo do crime.
O delegado afirmou, entretanto, que o inquérito não foi prejudicado. ''Seria uma prova material que teríamos em mãos (a comprovação de movimentação financeira de Barbino) mas já existem indícios suficientes no inquérito'', comentou.
Ontem pela manhã, o delegado havia convocado para depor o ex-advogado da Cipasa, Alan Pietrarróia Nogueira, que também já teria advogado para Barbino e Frare. O advogado, entretanto, lembrou que o estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lhe dava o direito de não comentar sua atuação profissional e não deu nenhuma informação sobre os 17 anos em que trabalhou na empresa. Hoje o delegado toma o último depoimento antes da finalização do inquérito, de um gerente de um hotel da cidade onde Barbino teria se abrigado após o crime. O diretor, entretanto, só será ouvido na semana que vem pois ainda encontra-se em tratamento de saúde. ''Enviaremos o depoimento posteriormente'', afirma Belinati. Ao inquérito também deverá ser juntada um apanhado dos resultados obtidos até o momento pelos auditores que devassam as contas da Cipasa à pedido da família de Frare.
Um novo inquérito deve ser aberto contra Barbino para investigar o suposto desvio de dinheiro da Cipasa. A família de Frare aguarda apenas a finalização da auditoria de contas da empresa para representar judicialmente pela abertura da investigação. Se confirmadas as suspeitas, Barbino pode responder por crime de roubo e formação de quadrilha. A reportagem tentou falar com o advogado Antônio Amaral, que defende Barbino, mas ele não atendeu a ligação feita para seu telefone celular. (Colaborou Luciano Augusto)

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