Promotor questiona locação de dois rabecões a R$ 8 mil
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
A Promotoria da Defesa do Patrimônio Público vai instaurar procedimento administrativo para averiguar a situação das duas viaturas Chevrolet D-20 que servem para o transporte de vítimas de morte violenta em Londrina (rabecões). O procedimento será instaurado pelo promotor da 5ª Vara Criminal, Claúdio Esteves, que atualmente atende a Promotoria no lugar de Bruno Galatti, que está de férias. Ele vai solicitar informações da direção do Instituto Médico Legal (IML) em Curitiba, que é responsável pelos dois rabecões.
O promotor também vai solicitar informações sobre o contrato de comodato firmado pelo IML com a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), que atualmente fornece motorista, combustível e faz a manutenção das duas viaturas.
O comodato foi firmado há menos de cinco meses pelo então chefe do IML, Ademar Consalter. O aspecto que a promotoria vai indagar do órgão em Curitiba será como e com que empresa foi feita a locação destes dois rabecões, ao custo de R$ 8 mil por mês. Outro aspecto a ser questionado é o motivo do Estado locar duas viaturas, quando apenas uma cobriria as necessidades de Londrina. O rabecão somente atende casos ocorridos no Município. Segundo as estatísticas da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Acesf e do próprio IML, os casos de mortes violentas no município não ultrapassam a dois por dia. Cada veículo tem capacidade para carregar três corpos de uma só vez. O IML de Curitiba tem dez dias para informar o promotor Cláudio Esteves.
Situação pior ocorre em Foz do Iguaçu, onde duas viaturas para recolhimento de corpos estão paradas por falta de motoristas. Segundo informações passadas pelo chefe do IML daquela cidade, Cláudio Caba¤a, os rabecões estão parados desde junho, estacionados no pátio da 6ª SDP, expostos ao sol e à chuva. A Secretaria de Segurança Pública em Curitiba já foi informada sobre o problema mas não tomou nenhuma providência. Os rabecões também foram locados ao preço de R$ 8 mil por mês.
Apesar de sobrar rabecões em Londrina, faltam funcionários no setor administrativo do IML. O atual chefe, o médico Antônio Carlos Queiroz, vem lutando para manter o órgão funcionando. Ele afirma que, se não forem tomadas providências urgentes, o IML de Londrina vai fechar as portas.
Ele está convocando as funerárias da região - de 17 cidades - a cooperarem financeiramente com o órgão, com a finalidade de gerar um fundo e ser possível contratar digitadores para confecção de laudos e funcionários para serviços gerais e portaria. O fundo seria gerenciado pelo Conselho Comunitário de Segurança. A falta de funcionários cria problemas para a Justiça, devido a atrasos para entrega de laudos de necrópsia, lesões corporais e abusos sexuais, que devem acompanhar os inquéritos policiais.


