Cascavel O Ministério Público instaurou inquérito civil para investigar e discutir por que estão desativados para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) 10 leitos da UTI neonatal do Hospital Universitário de Cascavel. Instalados em agosto do ano passado, apenas quatro leitos vêm recebendo pacientes, mas não estão credenciados junto ao Ministério da Saúde. Os outros seis permanecem sem utilização.
Para o promotor Angelo Ferreira, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), gestora do hospital, está falhando. ''No momento em que recebeu o equipamento, ela (Unioeste) assumiu o dever de abrir estes leitos. Como não o fez, a Unioeste está faltando com o cumprimento desse dever, que é disponibilizar os leitos'', frisou.
O promotor vai recolher a documentação relativa aos equipamentos da UTI Neonatal e questionar a universidade para descobrir as razões de ainda não ter se credenciado e iniciado o funcionamento dos leitos. Segundo ele, este é um dos assuntos que vem sendo tratado com prioridade, porque a falta de leitos tem provocado transtornos. ''Em duas oportunidades precisei intervir para que acontecesse um parto de alto risco'', ressaltou Ferreira.
O promotor pretende conceder um prazo para que os leitos comecem a funcionar. ''Se isso não acontecer, vamos demandar contra a Unioeste, para obrigá-la, judicialmente, a dar início ao atendimento''.
O diretor-geral do Hospital Universitário, José Fernando Carvalho de Martins, apresentou justificativas para a não-ativação dos leitos. Segundo ele, o sistema de ar condicionado teve que ser reformado, ''o que está sendo feito com uma verba suplementar''. Além disso, argumentou que não foi repassada verba para o restante do mobiliário.
Martins assegurou que o processo de credenciamento ao SUS já está em andamento e explicou que os quatro leitos usados estão sob a condição de berçário de alto risco, o que implica em um repasse menor de recursos. O diretor disse também que faltam recursos para a contratação de funcionários.