Promotor prevê bolsões de pobreza
Para o promotor das Garantias Constitucionais do Ministério Público, Marcos Bittencourt Fowler, a nova lei de zoneamento cria mecanismos que irão concentrar as classes de maior poder aquisitivo na capital e empurrar a pobreza na periferia. Isto aconteceria em função da ausência de loteamentos populares e pelo alto custo dos lotes e imóveis existentes.
Dados apresentados pelo professor Luiz Henrique Cavalcanti Fragomeni, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostram que de cada R$ 10,00 arrecadados em Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na região, R$ 6,00 vão para Curitiba. Segundo ele, enquanto a atual lei prevê um aumento na área construida de Curitiba de 80 milhões de metros quadrados, pela nova lei a área pode aumentar até 500 milhões de metros quadrados.
A concentração de renda em Curitiba tende a piorar, em função do grande crescimento da região metropolitana e da necessidade de mais recursos nestes municípios. Segundo Fowler, enquanto o Paraná tem um crescimento populacional negativo de 1% ao ano, o aumento na região metropolitana está acima de 4%, sendo que na Fazenda Rio Grande chega a 10% a 12% ao ano. ‘‘É quase impossível absorver este crescimento com a infra-estrutura necessária, como o fornecimento de água, por exemplo. E depois, este crescimento acontece justamente perto das microbacias, comprometendo todo o abastecimento de água para Curitiba‘‘. diz.
Fragomeni criticou, ainda, a forma como a prefeitura e a nova lei de zoneamento estão concentrando o crescimento da cidade para a região sul, nas proximidades da bacia do Rio Iguaçu, enquanto a região norte está praticamente preservada. ‘‘A prefeitura deveria ter feito uma leitura mais moderna com a lei de zoneamento. Eles sé estão tentando resolver o fluxo do transporte e o visual dos prédios e esquecem da qualidade de vida ambiental dos bairros’’, diz. (M.G.)

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