Foi preso ontem em Londrina o agropecuarista Mauro Janene da Costa, 34 anos, principal suspeito pela morte da professora de música Maria Estela Pacheco, 35. O corpo de Estela foi atirado sem vida da sacada do apartamento de Mauro Janene, no 12º andar do Edifício Diplomata (centro da cidade), no dia 14 de outubro.
A prisão temporária foi pedida pelo promotor Miguel Jorge Sogaiar, da 1ª Vara Criminal de Londrina e expedida pelo juiz João Luiz Cleve Machado, também da 1ª Vara. Janene Costa vai ficar detido por cinco dias para explicar à polícia as causas da morte da professora. O prazo pode ser prorrogado se os responsáveis pela investigação acharem necessário.
Como principal argumento para justificar o pedido de prisão, o promotor alegou a demora da polícia em interrogar o suspeito. ‘‘Já se passaram 32 dias da morte e o Mauro Janene ainda não foi ouvido. Também não foram interrogados outros moradores do prédio e um rapaz chamado Paulo César, conhecido por PC, que é testemunha-chave do caso. Ele estava no Bar Valentino naquela noite e saiu com os dois’’, explicou.
O promotor afirmou que a delegada que presidia o inquérito, Waldete Testoni, já deveria ter ouvido Mauro Janene. ‘‘Ela estava deixando para ouvi-lo somente depois que ficasse pronto o laudo do Instituto Médico-Legal’’, afirmou. Isto, segundo ele, prejudicaria as investigações porque Mauro Janene poderia apresentar uma ‘‘história pronta’’ de acordo com o resultado do laudo.
A delegada não quis se manifestar. Ela afirmou apenas que pediu o afastamento da presidência do inquérito alegando interferência do Ministério Público. O inquérito passou a ser presidido pelo delegado-operacional da 10ª SDP, Jurandir Gonçalves André e pelo delegado-adjunto, João Eduardo Carulla. Sogaiar aprovou a troca, acrescentando que a mudança não deve interferir nas investigações.
Para o promotor, as circunstâncias da morte da professora apresentam fortes indícios de que tenha acontecido um crime. ‘‘O laudo do Instituto de Criminalística comprovou que o corpo da professora foi atirado da sacada uma hora após ela ter morrido. Também constatou-se, através de depoimentos de pessoas próximas a Janene, que ele tinha um comportamento agressivo, principalmente com relação a encontros amorosos’’, relatou.
Sogaiar acrescentou que, independente das conclusões levantadas pela polícia, já está constatado um crime de fraude processual, pois o local da morte foi alterado. O agropecuarista foi preso às 9h45 em seu apartamento. Ele saiu algemado, com uma bíblia nãos mãos e uma toalha cobrindo o rosto.
Antes de depor na 10ª SDP, Mauro Janene foi levado ao IML para realização de exame de lesões corporais, depois foi para o 3º Distrito Policial e em seguida para o Fórum. De acordo com Carulla, o exame de lesões corporais é necessário em todas as situações de prisão temporária, para evitar futuras acusações de agressão por parte da defesa do suspeito.
No 3º DP, Mauro Janene permaneceu em uma sala fechada com o delegado Carulla durante uma hora. Ao sair, o delegado disse que ele não quis responder as perguntas e disse que só falaria na presença do juiz. No Fórum, o juiz João Cleve Machado fez uma rápida entrevista com ele e o encaminhou para a 10ª SDP.
O advogado de defesa Mauro Viotto não o acompanhou em nenhum momento. Ele estaria em São Paulo e teria designado uma advogada de seu escritório para acompanhar Mauro Janene. Ela foi ao 3º DP mas não permaneceu no local. A advogada não quis se identificar. Para evitar problemas futuros com a defesa, o promotor indicou um advogado para acompanhar o depoimento na 10ª SDP.

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