Promotor pede novo laudo de córrego
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Célia Guerra<BR>De Londrina 
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente em Londrina solicitou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) uma nova análise no Córrego Água das Pedras, na Vila da Fraternidade, zona leste da cidade. O promotor interino Tiago de Oliveira Gerardi disse que a Sanepar vai ser chamada para esclarecer os níveis de contaminação do córrego por esgotos sanitários.
Na semana passada, o IAP divulgou o resultado da análise de água coletada no local após denúncia da Folha, apontando alta incidência de bactérias comuns a esgoto sanitário. Na água colhida nas saídas das galerias pluviais foi verificada a presença de 3 milhões de bactérias para cada 100 mililitros. Na amostra retirada 200 metros abaixo, o índice de bacilos foi de 500 mil por 100 ml. Segundo determinação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o limite tolerável é de 5 mil bactérias por 100 ml de água.
Apesar da contaminação, a água do córrego é utilizada por famílias que moram no assentamento próximo à nascente, para o preparo dos alimentos, banhos e limpeza. O promotor destacou que o local e outros fundos de vale que cortam cidade não deveriam abrigar moradias por serem áreas de preservação permanente. Ele admitiu, entretanto, que a retirada das famílias é complicada. Gerardi lembrou que já houve até o interesse de algumas lideranças na urbanização desses locais, mas reforçou a impossibilidade do serviço.
O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, afirmou que o córrego é o mais poluído da cidade, mas alegou que pouco pode ser feito pela falta de recursos do município. Numa outra região, próximo ao Jardim Santa Fé, o lixo toma conta do córrego. As margens também abrigam uma ocupação irregular de cerca de 150 famílias.
A responsabilidade da retirada do lixo dos fundos de vale é da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Ontem, o presidente Wilson Sella esteve no local a convite da Folha e disse que a poluição foi causada por ''uma sequência de omissões do poder público''. Ele admitiu que apenas uma limpeza emergencial não resolve o problema.
Lideranças do bairro concordaram com o presidente da CMTU e informaram que já foram realizados mutirões de limpeza. Sella se comprometeu em incentivar a realização de um trabalho de educação dos moradores e a instalação de uma central de coleta seletiva de lixo. A religiosa Tânia Micheletti, que trabalha com a comunidade, assumiu a coordenação do trabalho.


