O promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor de Londrina, Leonir Batisti, enviou na tarde de ontem ofício à Câmara de Vereadores solicitando cópia dos laudos das análises realizadas em oito marcas de leite pelos laboratórios do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, em março. O resultado dos laudos teria sido usado como instrumento de pressão, por três assessores de vereadores londrinenses, na tentativa de extorsão contra a Central Norte e a Cativa, cooperativas de produtores de leite.
A denúncia da tentativa de extorsão foi feita na Câmara, na última quinta-feira, pelo presidente da Cativa e da Confederação das Cooperativas Centrais Agropecuárias do Paraná (Confepar), Osmar Buzinhani. ‘‘Esta denúncia de extorsão é uma questão policial e deve ser objeto de abertura de inquérito específico. Solicitarei à Promotoria de Investigações Criminais que acompanhe o caso’’, afirma Batisti.
Segundo ele, os resultados das análises são necessários para que a Promotoria conclua a parte que lhe cabe neste processo iniciado em 17 de março. ‘‘Com os laudos, saberemos se a qualidade dos leites representa perigo para a saúde dos consumidores ou não. Daí, em caso de comprovação de má qualidade, tomaremos providências junto aos laticínios para que o problema seja resolvido. Caso os resultados sejam negativos, arquivaremos o processo.’’
Batisti acompanhou a coleta das três amostras de cada uma das oito marcas de leite - Cativa, Régio, Batavo, Ubá, Caitu, Guri, Londrina e Marcial - no dia 17 de março, em vários supermercados da Cidade, a pedido do então vereador Jacy Aguiar (PDT). ‘‘Fomos eu, um motorista da Câmara e o senhor Fred Max Mota, que me tinha sido apresentado por Aguiar como seu assessor. Compramos as caixas de isopor e os leites, em diferentes pontos da Cidade. Lacramos tudo e enviamos para as análises.’’
O requerimento de Jacy Aguiar, para a Câmara pagar as análises no Adolfo Lutz, fora aprovado pelo plenário no dia 16 de março. No final daquele mês, ele deixou o cargo para a volta à Câmara do titular do mandato, Moysés Leônidas (PDT). Ontem, Aguiar não foi localizado pela Folha e nem deu retorno às ligações telefônicas.
Além de Fred Mota, outros dois assessores estão sendo acusados: Aristeu Neves Rodrigues e José Rojas Galivan. Nenhum dos três acusados foram encontrados ontem.

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