O promotor Tiago de Oliveira Gerardi, que responde interinamente pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente em Londrina, pediu cópias da análise feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) na água do Córrego Água das Pedras, na Vila da Fraternidade, zona leste da cidade. O córrego fica a cerca de dois quilômetros da área central e o resultado das amostras de água coletadas, divulgado ontem pela Folha apontou uma alta incidência de bactérias comuns a esgoto sanitário.

Na água colhida nas saídas das galerias de águas pluviais foi constada a presença de 3 milhões de bactérias para cada 100 mililitros. Na amostra retirada 200 metros abaixo, o índice de bacilos foi de 500 mil por 100 ml. Segundo determinação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o limite tolerável é de 5 mil bactérias por 100 ml de água.

O promotor informou que vai estudar a possibilidade de uma cobrança mais efetiva do município pela preservação do córrego, caso já não houvesse alguma ação em andamento.

Mas se depender da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), responsável pela coleta de lixo em Londrina, a sujeira vai permanecer acumulada por mais tempo nos córregos que cortam a zona urbana da cidade. O presidente da CMTU, Wilson Sella, diz que não há previsão de limpeza dos mananciais, nem mesmo com a realização de mutirões comunitários. As atividades da companhia, segundo ele, estão se concentrando na capina dos fundos de vale.

Sella considera ''praticamente impossível'' a retirada dos entulhos e responsabiliza a população pelo depósito do lixo nos fundos de vale. Para ele, cabe aos moradores denunciar as pessoas que jogam detritos nesses locais.

O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, argumenta que desde janeiro a prefeitura transferiu para a CMTU a responsabilidade sobre lixo e resíduos, inclusive nas áreas de praças e fundos de vale. Ele diz lamentar esse fato.

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