O promotor João Batista de Almeida, vai pedir abertura de inquérito policial para apurar denúncias de desvio de dinheiro e falsificação de documentos contra o vereador João Cioni Neto (PTB) e outros funcionários da Câmara de Umuarama. As denúncias foram feitas pela ex-funcionária da Câmara e sobrinha de Cioni, Celina Marcia Maschetti. Segundo a ex-funcionária, o vereador ficava com metade do salário de R$ 780,00 que ela recebia como assessora de gabinete.
Ela também acusa o vereador de falsificar documentos para aposentar correligionários e eleitores. Celina acusa ainda o presidente da Câmara, Arnaldo Rodrigues da Silva (PDT) de conivência. ‘‘Eu contei a ele (a Rodrigues) o que estava acontecendo, mas ele me pediu para ficar quieta que conseguiria outro emprego para mim’’. Celina foi demitida dia 5 de outubro pelo vereador, segundo ela, por não aceitar mais dividir o salário. Ela disse ainda que foi agredida pelo tio no gabinete.
Celina começou a trabalhar na Câmara em janeiro de 97. Como não podia ser contratada por não possuir o 2º grau, disse que a Câmara ‘‘emprestou’’ o nome da filha do funcionário Francisco de Souza, Leonilda de Souza. ‘‘Ela foi nomeada e recebia o salário, mas quem trabalhava era eu’’, explicou. Em agosto, a Câmara revogou a lei que exigia o 2º grau para contratação dos funcionários e ela pôde ser nomeada.
Segundo Celina, o acerto de R$ 1.120 de Leonilda foi dividido entre Cioni, Francisco de Souza e Antônio Pedroso, outro assessor de Cioni, pago pela Prefeitura. Do salário de R$ 500 recebido por Pedroso, R$ 150 eram repassados para Francisco de Souza. Segundo o chefe de gabinete, Valdir Miranda, Pedroso é funcionário da prefeitura cedido para trabalhar para o vereador.
Celina denunciou ainda que Cioni e os dois funcionários forjavam documentos para processos de aposentadoria. Segundo a ex-funcionária, foram montados vários processos falsos, alguns deles aprovados pela Previdência. Ultimamente, tentavam aposentar o próprio funcionário Francisco de Souza e um irmão de Cioni, Sebastião Cioni. De acordo com Celina, Pedroso ‘‘envelhecia’’ documentos falsos esfregando pó de café e terra e colando fitas adesivas.
João Cioni disse ontem que demitiu a assessora por ter perdido a confiança nela porque ‘‘sumiram vários documentos do gabinete’’. O vereador nega que ficava com parte do salário da ex-assessora. Cioni tem três assessores, um pago pela Câmara, outro, pela prefeitura e um terceiro, que ele alega pagar do próprio bolso. ‘‘Meu salário de R$ 1.500 é pouco para atender as pessoas que me procuram, mas eu nunca desviei dinheiro dos funcionários’’. Cioni disse também que nunca fasilficou documentos e não tem conhecimento de que algum funcionário tenha feito isso. O presidene da Câmara não foi encontrado e nem retornou as ligações da Folha.

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