O promotor do Meio Ambiente de Campo Mourão, Guilherme Maranhão Sobrinho, está pedindo a volta do serviço de apreensão de animais errantes, a ‘‘carrocinha’’, no município. O anúncio foi feito esta semana pelo próprio promotor, que enviou o pedido para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Segundo ele, existe um grande número de animais errantes pelas ruas da cidade que colocam em risco a saúde pública. Além disso, o promotor acusa a Sociedade Protetora dos Animais (SPA) de ter ficado omissa na resolução do problema.
O novo secretário municipal de Agricutura e Meio Ambiente de Campo Mourão, Edílson Souza e Silva, que substituiu o vice-prefeito e ‘‘pai da carrocinha’’, Márcio Nunes (PTB), confirmou que vai recolocar o serviço em funcionamento. A carrocinha começou a funcionar em julho do ano passado mas foi desativada em novembro. A prefeitura suspendeu o recolhimento dos cães porque foi proibida de matar os animais. Na época, o Município alegou que o programa era inviável sem o sacrifício.
De acordo com o promotor, a matança dos animais não está liberada. Só poderão ser sacrificados os cachorros que estiverem com saúde precária constatada por veterinário. Mesmo assim, a promotoria vai exigir métodos que não ofendam a integridade física do animal. A prefeitura também será obrigada a emitir um relatório mensal sobre o funcionamento da carrocinha. No ano passado, dos 150 animais recolhidos 15% foram sacrificados. A maioria (60%) foi adotada e outros 20% foram doados para pesquisa.
A SPA de Campo Mourão não se surpreendeu com a decisão do promotor. A entidade foi criada às pressas, no ano passado, para tentar evitar que os animais fossem sacrificados aleatoriamente. Segundo membros da SPA, a principal luta é contra o sacrifício e não contra a retirada dos animais das ruas. A entidade também prepara uma nota em que nega omissão e diz que faz o que está ao seu alcance e que não pode resolver em seis meses o que o Município não fez em 50 anos.
A implantação da carrocinha foi o assunto mais polêmico em Campo Mourão no ano passado. As discussões sobre o assunto começaram em fevereiro, quando a prefeitura anunciou a implantação do programa, e prosseguiram até o final do ano com a denúncia de que cachorros estavam sendo sacrificados às escondidas. O assunto se acalmou apenas este ano. Mesmo assim, no começo no mês passado o vice-prefeito Márcio Nunes se despediu da Secretaria do Meio Ambiente dizendo que sua única frustração no cargo era a desativação da carrocinha.

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