Promotor participa de debate com a imprensa
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domingo, 24 de agosto de 1997
Londrina 
Arquivo FolhaPaulo Tavares: Imprensa deve respeitar o réu e a vítimaA liberdade de informação, de expressão, é essencial numa democracia, mas ela não é absoluta, tem um limite: termina onde começa o direito à privacidade, à individualidade, à preservação da imagem pessoal. Partindo dessa premissa, o promotor público de Londrina, Paulo César Tavares, explica que o Poder Judiciário deve restringir a liberdade de informação quando ela fere os direitos do cidadão. Tem que haver muita sintonia entre liberdade de imprensa e os direitos de cidadão, disse o promotor.
Essas declarações foram feitas durante o debate Direitos Humanos na Televisão, realizado na última quarta-feira, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O evento foi promovido pelo Centro de Direitos Humanos de Londrina.
O promotor disse que muitas vezes os programas de televisão julgam pessoas, que ainda não foram julgadas nem condenadas pela Justiça. É perfeitamente possível noticiar um fato policial respeitando o réu e a vítima. Quando o promotor denuncia alguém, durante o julgamento, em que estamos pedindo a condenação da pessoa, em nenhum momento o réu tem seus direitos como cidadão desrespeitados. Pode-se dar informações sem precisar massacrar ninguém.
Segundo Tavares, a imprensa é livre para publicar e divulgar o que bem entender. A liberdade jornalística é fundamental para que o País cresça. A imprensa séria, investigativa, que denuncia, é fundamental para que haja ética na política, na vida pública, nas relações interpessoais, ressaltou o promotor. Ele lembrou porém que o principal pecado da imprensa é o açodamento, o desejo forte de buscar uma matéria, de ser o primeiro a chegar para dar o furo. Nesse afã por conseguir um bom ibope, muitas vezes se atropela os direitos do cidadão.


