Promotor ouve delegados sobre extorsão
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - O promotor da 1 Vara Criminal de Maringá, Laércio Januário de Almeida, começou ontem a ouvir delegados do comando da 9 Subdivisão Policial de Maringá (9 SDP) por causa de denúncias de venda de motores apreendidos. Almeida é responsável pelas investigações de extorsão e concussão contra um jornalista de Maringá e dois policiais civis de Londrina. As denúncias partiram do comerciante de peças usadas, Evaristo Nunes de Andrade, de Maringá.
Segundo a promotoria, o comerciante teria feito uma série de outras denúncias envolvendo mais policiais tanto de Maringá como de Londrina. O relato de Andrade ao MP, rendeu segundo os promotores, 13 fatos. A maioria, crimes que teriam sido cometidos por policiais. Conforme o MP, entre os fatos, está a denúncia de que um colega de Andrade que teria comprado um motor usado, apreendido na 9 SDP, por R$ 8,5 mil do delegado-operacional José Aparecido Jacovós.
O delegado-chefe da 9 Subdivisão Policial de Maringá, Maurício de Oliveira Camargo, disse ontem que não vai se pronunciar sobre as investigações do MP enquanto não receber informações oficiais. Camargo também não quis comentar o fato de que as denúncias captadas pela promotoria partem de um comerciante que é alvo de investigações da própria Polícia Civil. Andrade responde a processos por receptação e ameaça e também foi apontado por pessoas presas em Londrina como o responsável por desmanche de veículos furtados na cidade.
O delegado Jacovós negou as denúncias feitas por Andrade. Segundo o delegado, o comerciante também da polícia de Maringá por dois inquéritos por desmanche de veículos. Outros dois delegados ouvidos ontem pela Folha, que pediram para não ser identificados, disseram que a situação na Polícia Civil de Maringá é de ''angústia'' porque os funcionários (delegados e investigadores) ''estariam a mercê de uma pessoa (Evaristo Andrade) investigada por desmanche em Maringá e Londrina''. ''Qualquer nome que o Evaristo resolver dar vai figurar como suspeito no MP, mas o acusador é quem tem o ônus de provar'', disse um dos delegados.


