O promotor de Defesa de Saúde Pública e Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, informou ontem que requisitou ao Hospital Universitário (HU) informações sobre o atendimento prestado ao paciente Leandro Carvalho Saturnino, 24 anos, que morreu no último dia 20 de junho. O rapaz havia sofrido um acidente de moto três dias antes e precisava de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vaga esta que o hospital não dispunha.
O promotor requisitou cópia do prontuário, a relação dos profissionais que o atenderam, a taxa de ocupação da UTI-adulto naquela semana, entre outros dados. A direção do hospital tem até o início da próxima semana para enviar a documentação. Além disso, Tavares pretende ''ouvir diretores do HU para que passem a realidade vivida no setor''.
Para o promotor, as vagas de UTI deveriam contar com uma taxa de ocupação muito menor do que a atual, que beira diariamente os 100%. ''Tinha que haver uma reserva técnica de pelo menos duas ou três vagas em cada hospital'', opinou Tavares. ''A situação é muito grave e sabemos que piora nestes meses em função do frio. Mas, de qualquer modo, tem que haver oferta de leitos para todo ano. Uma morte já justifica uma movimentação por parte do Estado'', concluiu.
Saturnino foi tratado em um leito improvisado no pronto-socorro. O pedido de remoção para UTI foi feito ao Samu. Em entrevista à Folha, a gerente do serviço, Rosângela Libanori, apontou que o paciente entrou com protocolo de constatação de morte cerebral e que, por isso, foi dada preferência para outros que também precisavam de UTI e estavam em hospitais que não contavam com a assistência prestada pelo HU.

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