O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais em Londrina, Paulo Tavares, está investigando denúncias de irregularidades administrativas contra o diretor do centro de recuperação de drogados do Movimento Evangélico para a Libertação de Vidas (Melvi), Claudionor Rodrigues. Desvios de cestas básicas, de carne doada e incomunicabilidade dos internos foram denunciados ao promotor por um ex-funcionário da entidade. Desde novembro do ano passado o Conselho Municipal de Assistência Social suspendeu o repasse de recursos à entidade, que funciona sem licença sanitária e alvará.
Tavares explicou que as denúncias foram feitas por um ex-funcionário que trabalhou cerca de 50 dias na entidade. ‘‘Diante do grave quadro relatado, solicitei ao diretor do Melvi documentos que atestem a prestação de contas. Vou analisar também os depoimentos dos internos’’, afirmou. Ele também está apurando as razões que levaram o Conselho Municipal de Assistência Social a cortar a verba mensal da entidade. A saúde e a alimentação dos internos, segundo o promotor, são as principais preocupações do Ministério Público.
Antes de procurar a promotoria, o ex-empregado, que na entidade é chamado de obreiro, levou as queixas de irregularidades ao conhecimento da secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizotti. ‘‘Depois de ouvi-lo, pedi que procurasse o Ministério Público’’, afirmou. Antes disso, disse Maria Luiza, o Conselho de Assistência Social já havia decidido pela não liberação dos recursos ao Melvi. Segundo ela, os alimentos citados em notas fiscais pelo diretor do Melvi não chegavam aos internos. ‘‘Quando estivemos lá vimos que a alimentação deles é bastante simples’’, afirmou.
O corte na verba do Melvi só vai ser revisto se o diretor se enquadrar na forma de atendimento recomendada pela secretaria de Ação Social. ‘‘Entendemos que a entidade deve disponibilizar equipe médica, psicólogos e psiquiatras aos internos. Além disso, não concordamos com a restrição de entrada e saída deles’’, argumentou a secretária. De acordo com ela, nos primeiros 40 dias os internos não podem sair nem receber visitas. O tratamento dos dependentes de drogas dura nove meses.
O promotor Paulo Tavares esteve na sede do Melvi, acompanhado da secretária Maria Luiza Rizotti e uma equipe da Vigilância Sanitária. Alguns internos ouvidos pelo promotor falaram sobre o atendimento que recebem, mas ele não quis adiantar o teor da conversa. ‘‘Qualquer conclusão ainda é prematura’’, disse. Maria Luiza informou que a vistoria ao Melvi vai se estender às demais instituições filantrópicas da cidade. ‘‘Estamos conhecendo a rede de serviços assistenciais, até porque o Conselho financia parte dela.’’

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