Dimitri do Valle
De Curitiba
Documentos da importação sem licitação de jaquetas coreanas para a Polícia Militar foram apreendidos na semana passada em Curitiba. A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) foi ao escritório da Power Brand, no centro da capital, para buscar os papéis que podem ajudar a esclarecer a compra. A empresa é de propriedade do importador Georges Pantazis, que recebeu um adiantamento de R$ 350 mil do comandante da PM, coronel Luiz Fernando de Lara, antes que as jaquetas estivessem prontas. O promotor da PIC, Paulo Kessler, disse que as investigações são feitas em caráter sigiloso. Cinco promotores trabalham no caso.
A antecipação da verba gerou controvérsia no alto escalão da PM. Nos bastidores, o clima é de crise entre os coronéis que ocupam postos chave diante do caso que ganha contornos de escândalo. O coronel Ivo Matickoski foi exonerado do cargo de diretor de finanças do conselho administrativo da PM. Ele protestou contra a liberação do dinheiro. Com a articulação do coronel Luiz Antônio Borges Vieira, que responde pela chefia da Casa Militar e é aliado de Lara, a vaga de Matickoski deverá ser preenchida pelo tenente-coronel Gilberto Foltran. Foltran, que trabalha com Vieira, ocupa hoje vaga deixada pelo coronel Honório Bortolinni, que se recusou a assinar papéis que endossavam a antecipação do pagamento das jaquetas. Bortolini respondia pela diretoria de Apoio Logístico da PM e foi para a reserva.
Ontem à tarde, mais dois coronéis que integram o conselho administrartivo ficaram de fora de uma nova reunião. O comandante do policiamento da capital, coronel Justino Henrique de Sampaio Filho, e o comandante do policiamento do interior, coronel Walter Cardoso de Aguiar, não foram chamados por Lara. Justino e Aguiar se manifestaram contra a liberação do dinheiro a Pantazis.
A Assembléia Legislativa concedeu prazo de mais 15 dias para a Secretaria da Segurança Pública apresentar os resultados sobre as investigações da compra das jaquetas e do suposto envolvimento do estelionatário Joni Rodrigues com a cúpula da PM. O filho do comandante Lara, Luiz Fernando Coutinho de Lara, é investigado pela PIC por fazer seguros de carros comercializados por Rodrigues com policiais militares. Os PMs denunciaram Rodrigues na Delegacia do Consumidor após perderem os carros em financiamentos irregulares.

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