O promotor substituto de Defesa do Patrimônio Público, Cláudio Esteves, visitou as casas-abrigo da Coordenadoria Especial da Mulher para analisar mais uma denúncia de irregularidade feita pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Os dois imóveis, localizados na zona leste, passaram por uma reforma, mas o trabalho foi questionado pelo sindicato. Peritos designados pelo Ministério Público investigam denúncia de superfaturamento e de irregularidade na licitação da obra.
Esteves foi ao local a pedido do Sindserv. A entidade flagrou anteontem à tarde e ontem pela manhã funcionários da Pot Construtora de Obras Ltda fazendo pequenos reparos nos dois imóveis. Na opinião do presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, os consertos poderiam atrapalhar a perícia dos profissionais designados pelo Ministério Público. Policiais do Instituto de Criminalística também foram ao local para fotografar os consertos realizados.
Rubens Canizares, proprietário da Pot, explica que o conserto foi liberado pelos peritos, que teriam terminado os trabalhos anteontem. Segundo ele, trata-se da correção de um piso solto e de uma parte da pintura. O secretário de obras do município, José Righi, também esteve nas casas-abrigo ontem pela manhã e, a pedido da promotoria, determinou que o conserto fosse interrompido. Ele negou ter conhecimento dos reparos.
O promotor afirmou que qualquer conclusão sobre o motivo da retomada da reforma das casas é precipitada. Mas frisou que uma obra sob perícia não deve ser mexida. ‘‘Foi, no mínimo, falta de cuidado’’, afirmou. Garantiu, porém, que as alterações não vão prejudicar o trabalho da promotoria. Os peritos já haviam concluído o levantamento e as condições das casas, antes dos novos ‘‘ajustes’’, que vão constar do laudo pericial. Esteves vai pedir ainda que os peritos retornem às casas-abrigo para nova avaliação. Ele quer saber exatamente o que foi feito. Claudio Esteves acrescentou que requisitou novos documentos envolvendo as obras da casas-abrigo. Mas não quis adiantar nada sobre os documentos.
Segundo a acusação do sindicato, as licitações para reforma de duas casas-abrigo e para construção da rotatória no centro da Cidade foram vencidas pela Pot Construtora de Obras Ltda, que pertence ao casal Rubens e Cassia Canizares, funcionários da Prefeitura. Além disso, Rubens Canizares foi assessor de gabinete do vereador Moysés Leônidas (atual secretário municipal de Administração) de 1º de fevereiro de 92 a 1º de março deste ano. A Secretaria de Administração é a responsável por licitações.
O presidente do Sindserv afirma que as irregularidades tiveram início no processo licitatório, já que foi vencida por uma empresa que pertence a funcionários municipais. Além disso, ele diz que as reformas das casas custaram à Prefeitura R$ 37.715,17, mas as obras se limitaram à construção do muro, calçada e pintura.

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