Promotor exige que famílias desocupem área de preservação
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - O promotor de Defesa do Meio Ambiente, Ângelo Ferreira, se reuniu ontem com três famílias que moram em áreas de preservação ambiental permanente e que se recusam a mudar para o projeto Minha Casa, em Cascavel. As famílias, duas residentes no Bairro Neva e uma no Jardim Aclimação, foram intimadas a deixarem o local num prazo de dez dias, mas não cumpriram a determinação. O Ministério Público exige agora que as famílias deixem a área até o final do mês.
Ferreira adiantou às famílias que após a extinção do prazo será estipulado uma multa para quem não deixar o local, além de serem propostas ações criminais e penais. Ele garante que as famílias ainda correm o risco de serem despejadas. ''Cada caso será analisado separadamente. Mas não ficarão impunes'', frisa.
O aposentado Verildo Manoel Teodoro recebeu a intimação do Ministério Público para comparecer ao Fórum ontem, mas garante que não foi notificado pela prefeitura para deixar a área em dez dias. Ele se recusa a deixar o local no Jardim Aclimação porque cria duas vacas, porcos e galinhas. ''As vacas são meu ganha-pão'', diz Teodoro, que mora com a mulher e quatro filhos.
A agente comunitária de saúde Maria Marili Espíndola, que mora no Bairro Neva, diz que teve autorização do município para construir na área durante a gestão do ex-prefeito Fidelcino Tolentino. Ela construiu uma casa de 100 metros e garante que não passa pela sua cabeça mudar para o projeto Minha Casa, onde o tamanho das residências é de 40 metros. ''Meus móveis ficarão para fora da casa. Acabaram com os direitos humanos para criar as leis ambientais'', reclama.
Maria Marili contratou um advogado e está entrando com um processo indenizatório por danos morais contra o promotor Ângelo Ferreira. Segundo ela, durante uma audiência ele a teria humilhado diante de outras pessoas. O promotor nega que tenha ofendido a agente comunitária. ''Estou apenas cumprindo meu dever e o que manda a lei. Talvez isto acabe desagradando algumas pessoas'', observa.
De acordo com a Assessoria de Assuntos Comunitários, de um total de 17 famílias que insistiam em se retirar das áreas de preservação ambiental, pelo menos oito já se mudaram para o projeto Minha Casa.


