Promotor diz que penas são leves
Em alguns casos, se o
réu for primário, pena
pode ser transformada em
serviços à comunidade
O promotor da 1ª Vara de Delitos de Trânsito de Curitiba, Ricardo Noronha (foto), considera pequenas as penas para os crimes de detenção previstos no Código de Trânsito Brasileiro. Mas ele acredita que a amenidade se restringe apenas ao início do processo que envolve os motoristas infratores. ‘‘Na sequência, se o envolvido for considerado culpado, poderá ter a carteira de habilitação suspensa e a pena aumentada’’, afirma.
É o que pode acontecer com o chacareiro Wladimir Polli, acusado de dirigir bêbado e furar sinais vermelhos, causando o acidente que matou Lucas Vitor Galli, 4 anos, e o pai dele, o economista Luiz Felipe Galli, 33 anos, em Curitiba. Como não havia testemunhas na hora da prisão, Polli foi liberado depois de pagar fiança de R$ 130,00.
Carlos Eduardo Bianco, que atropelou na última quarta-feira, na BR-277, o pedreiro Antônio Benedito Moraes, que morreu na hora, também terá de prestar contas à Justiça. O agravante é que Bianco fugiu sem prestar socorro. Ele foi preso em flagrante no dia seguinte, ao tentar registrar queixa de que seu carro havia sido roubado.
No caso de Fabiana Maria Vaz do Nascimento, se o acidente for considerado homicídio culposo, o motorista Sezinando Castro Lopes poderá ter seu processo suspenso por um prazo de dois a quatro anos. O benefício poderá ser usado caso ele seja réu primário e se responsabilize pela indenização da família e pela realização de serviços à comunidade. ‘‘O processo poderá ser arquivado caso, no prazo de suspensão, Lopes não cometer mais nenhum crime’’, diz Luiz Fernando Roedel, promotor da 3ª Vara de Delitos de Trânsito. Mas se o caso for considerado homicídio doloso, o motorista poderá ser levado a júri popular.
Levar Sezinando Lopes para a prisão é o objetivo da família de Fabiana. Francisco Ricardo Castro, que foi casado com ela durante dois anos, diz que ninguém está pensando em indenização, mas apenas na condenação. ‘‘Perder a mulher e o filho ao mesmo tempo é uma coisa muito dura de suportar’’, diz.
Assim como Sezinando Lopes, o motorista Guilherme José Pedroso de Moraes também poderá ter seu processo suspenso ou ir a júri popular. Ele responde por ter atropelado e matado o garotinho Lucas de Jesus Medeiros, que estava num carrinho de bebê levado pela mãe, Zenaide de Jesus Padilha, no dia 25 de dezembro do ano passado. Eles atravessavam uma faixa de pedestres da Avenida Manoel Ribas, quando foram colhidos pelo carro de Moraes, que avançou o sinal vermelho. (A.R.)

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