O promotor de Justiça Paulo José Kessler, da Procuradoria de Investigação Criminal, diz que as falhas da polícia são reflexos da ‘‘grave omissão’’ do poder público em relação à proteção da sociedade. ‘‘Falta interesse em investir mais na formação e na punição dos policiais, o que permite que a comunidade continue sendo violentada’’, diz.
Semanalmente, o promotor recebe queixas de pessoas que afirmam ter sido agredidas ou extorquidas por policiais, e afirma que as vítimas dos erros da polícia são ‘‘símbolos das ruínas’’ do Judiciário brasileiro. ‘‘Homicídos praticados por policiais entram na vala dos crimes comuns, deixando os agentes com a sensação clara de que não serão punidos’’, diz.
O volume de queixas recebidas pela Procuradoria, que desde o ano passado passou a se dedicar exclusivamente ao controle das ações policiais, assinala um sensível aumento nas falhas de procedimento dos agentes. Não são apenas reclamações de prática de extorsão, mas também de falsos flagrantes para encobrir erros. Em todos os últimos homicídios cometidos pela polícia, houve a tentativa de forjar flagrantes de tráfico de drogas e roubo.
Kessler também critica a lentidão no julgamento dos processos de homicídio praticados por policiais, que atualmente não recebem prioridade nas varas criminais. Há casos ocorridos em 1995 que ainda não foram julgados. ‘‘A sensação de impunidade de alguns policiais acaba incentivando a ocorrência de novos erros’’, afirma.
O advogado criminalista Dalio Zippin Filho também critica a falta de rigor das instituições na punição dos policiais que cometem crimes. Segundo o advogado, é comum que fatores como amizade e coleguismo entre os agentes atrapalhem as investigações. ‘‘Além de tentar ocultar as ocorrências, alguns policiais chegam a dar pistas falsas para proteger o colega’’, reclama. (C.P.)

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