Dimitri do Valle
De Curitiba
O promotor de Justiça Murilo José Digiácomo, do Centro de Apoio das Promotorias da Criança e do Adolescente, pediu que a Secretaria Municipal da Educação determine a reativação do recreio na Escola Omar Sabag, no bairro Cajuru. A direção da escola aboliu o intervalo para tentar baixar os índices de brigas e vandalismo causados pelos alunos.
Segundo Digiácomo, a decisão da direção da escola representa uma ‘‘arbitrariedade’’ e não tem base legal. ‘‘Não é pela supressão do recreio que vai se conseguir o fim da violência. Só a data e o local dos conflitos é que serão transferidos’’, argumenta. O promotor defendeu que pais, estudantes e professores façam encontros para encontrar alternativas de combate aos problemas verificados entre os alunos.
Numa carta à Secretaria da Educação, o promotor não economiza críticas à postura da escola. ‘‘Salta aos olhos o absurdo de tal sistemática, que apenas oprime ainda mais os alunos das escolas que a adotam’’, ressalta. Para Digiácomo, o exemplo prestado pela escola Omar Sabag não é bom para a comunidade. ‘‘O recreio tradicional é um direito das crianças e permite o relacionamento entre todos os alunos’’, observa.
‘‘É necessário criar uma proposta pedagógica para ser colocada em discussão. O cancelamento do recreio pode até gerar a revolta nos alunos e esta é uma atitude que a gente não espera da escola’’, disse o promotor. Ele apelou para a ‘‘sensibilidade’’ da Secretaria Municipal da Educação com a finalidade de assegurar os direitos individuais dos estudantes. ‘‘A escola não pode ser um local onde se violam os direitos individuais do cidadão’’, acrescenta.
Em ofício ao promotor, o secretário municipal da Educação, Paulo Afonso Schmidt, comunicou que cabe à própria escola retomar o controle da situação. Schmidt disse ainda que a secretaria está avaliando problemas referentes a disciplina em todas as escolas municipais que atendem estudantes de 5ª à 8ª séries. Projetos de ações preventivas contra a violência também estão sendo estudados, informou o secretário. Ele negou que outras escolas tenham adotado o mesmo procedimento.
A secretaria iniciou neste ano fóruns permanentes entre os diretores das escolas para discutir alternativas que possam baixar a violência nas instituições.

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