Promotor denuncia prefeito por fraude em Alto Piquiri
Vânia Moreira
De Umuarama
O promotor de Alto Piquiri (42 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Vilmar Antônio Fonseca, denunciou o prefeito Francisco Ferreira dos Santos (PFL) e outras 10 pessoas por fraude em licitação de compra de mercadorias para entidades assistenciais. O promotor também está investigando todas as licitações feitas desde 93 pela prefeitura, com a suspeita de que tenham sido fraudadas para beneficiar empresários da cidade. O dono da distribuidora de Alimentos Isaeli, Isac Volpato, foi citado pelo promotor.
O empresário venceu a concorrência para fornecer R$ 14 mil em mercadorias para várias entidades assistenciais. Segundo o promotor, três empresas participaram da licitação. O mercado Isaval, a distribuidora de alimentos Três Irmãos e o Grupo Muffatto. A empresa Três Irmãos, além de ser apenas beneficiadora de arroz, está em nome da filha de Volpato, Isaelli Mary Volpato. O Grupo Muffatto apresentou declaração negando ter participado da concorrência. A assinatura e o carimbo da empresa teriam sido falsificados.
Outra irregularidade cometida, segundo o promotor, foi a abertura de um crédito na Isaval para que as entidades retirassem os produtos conforme precisassem. Não existe previsão legal para isso. A empresa deve entregar de uma vez as mercadorias especificadas no contrato, explicou. Ainda de acordo com o promotor, não houve controle do que foi entregue às entidades.
Além do prefeito, foram denunciados Volpato, a filha dele e outra sócia da empresa Três Irmãos, Isabel Maria Cidade, duas diretoras do departamento de Ação Social e os cinco membros da comissão de licitação, entre eles o presidente da comissão e contador da prefeitura, Egle Alonso Fernedo. O promotor Fonseca também instaurou outros três inquéritos para investigar licitações em que aparece o Grupo Muffatto. Estamos aguardando resposta da empresa se participou ou não destes processos, adiantou o promotor.
O prefeito Francisco Ferreira dos Santos disse ontem que está aguardando ser intimado para se defender. Ele alegou não ter conhecimento da fraude. A mim cabe homologar a melhor proposta apresentada, justificou.
Ferreira disse que quando surgiu a denúncia, ele mesmo solicitou à Câmara que investigasse. Os vereadores apuraram indícios de que houve irregularidade no processo licitatório, mas concluíram que não houve prejuízo para o erário. O promotor não concordou e decidiu oferecer a denúncia, disse Ferreira.





