O promotor da 2ª Vara Criminal de Londrina, Marcelo Bortolini, denunciou ontem por formação de quadrilha armada o ex-chefe da 10ªSubdivisão Policial, delegado Clóvis Galvão Gomes, que atualmente é o chefe do Fundo de Reequipamento Policial (Funrespol). Galvão é acusado de participação em 14 golpes do ‘‘3 por 1’’ que deram prejuízo acima de U$ 1 milhão às vítimas. Outro denunciado é o investigador Jorge Luiz Pereira Camargo, atualmente em Foz do Iguaçu.
As investigações da Polícia Federal começaram em agosto de 94. Outros 16 acusados são Arineu Zocante, o ‘‘Luiz’’ ou ‘‘doutor Carlos’’, Jair Dalmo Fernandes, o ‘‘Fernando’’, José Pins, vulgo ‘‘doutor Roberto’’, Maria Lúcia Pins, Alberto Detoni, o ‘‘secretário Carlos’’, Dirceu Barbosa Velleda, Luiz Henrique Ferreira Couto, Maria Florisbela dos Santos, a ‘‘Lurdinha’’ (que alugou a casa à quadrilha por U$ 2 mil), Marciano Roberto Rios Cabral, Antonio Francisco da Fonseca, Carlos Roberto Troijo, João Roberto Manzotti, Etevaldo Batista de Oliveira, o ‘‘doutor Edivaldo’’, Ivânio Marques, Orides de Paula, o ‘‘doutor Renato’’ e Lael Fidélis.
Segundo Bortolini, Valdir Colete, uma as vítimas que perdeu U$ 100 mil se infiltrou na quadrlha com o propósito de recuperar o prejuízo e contou que Galvão e Camargo recebiam uma comissão de 25%. A Polícia Federal flagrou o acusado Dirceu Velleda entregando U$ 15 mil, por intermédio do advogado José Yves de Souza, para Colete mudar seu depoimento que incriminava os policiais. O flagrante foi preparado por Colete e pelo Ministério Público de Londrina. Galvão e Camargo foram denunciados por omissão e, segundo o promotor, ‘‘tinham o dever jurídico de combater o crime e jamais se omitir ou se aliar à quadrilha’’.
O delegado Clóvis Galvão não quis ontem comentar a denúncia por não conhecer as alegações do promotor, mas disse que foi inocentado em uma sindicância e um processo administrativo da Polícia Civil. ‘‘Lamento que tenha demorado tanto tempo e só agora vou ter chance de mostrar que sou inocente’’, afirmou. O investigador Jorge Luiz Camargo também afirmou que já respondeu administrativamente pela acusação e irá provar sua inocência na Justiça.
No golpe do ‘‘3 por 1’’, pessoas de várias cidades brasileiras foram atraídas a Londrina por um ‘‘arrastador’’, que após descobrir que estavam em boas condições financeiras contavam que na região havia um esquema de trocar um dólar americano por três vezes seu valor em Real. O negócio deveria ser feito em dólar porque se tratavam de sobras de campanhas eleitorais ou recursos desviados do Banco Central (BC). Após permanecerem em uma casa luxuosa na cidade, as vítimas eram presas por suspostos policiais que ficavam com o dinheiro para não prendê-las em flagrante.
Marcelo Bortolini conta que em Londrina houve dois golpes diferentes que resultaram em U$ 500 mil à quadrilha. Um empresário de Borborema (São Paulo) chegou a entregar aos acusados U$ 200 mil e ficou três dias em Maringá esperando o dinheiro triplicado. Uma vítima de Porto Velho (Roraima) e outra de Indaiatuba (São Paulo) se hospedaram no ‘‘quartel general’’ dos golpistas, uma mansão na Rua Paulo Kawasaki, e perderam U$ 300 mil. ‘‘Eles saíam da casa diversas vezes e numa dessas saídas foram infornados que a casa tinha sido assaltada’’, contou o promotor. Temendo as ameças, as vítimas deixaram a cidade de mãos vazias.
Orides de Paula e João Manzotti também foram denunciados por estelionato pelo golpe na vítima de Borborema. Velleda, Maria Florisbela e Carlos Troijo também responderão por furto mediante fraude (vítima de Porto Velho). Orides ainda é acusado de matar o detetive Antonio Pereira da Costa por causa de uma dívida de R$ 50 mil. A formação de quadrilha armada tem pena de 3 a 6 anos de prisão.

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