Promotor denuncia clínicas à Justiça
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de Souza
AcusaçãoFachadas
do
Hospital e
Maternidade
Iguaçu (foto superior)
e da Clínica
Médica
Colúmbia
(foto inferior),
hoje
Hospital e
Maternidade
Cataratas:
denúncias
de fraude
O promotor Renan Gabardo Fava denunciou à Justiça duas clínicas de Foz do Iguaçu acusadas de fraudar guias de atendimento para superfaturar a cobrança de serviços médicos prestados à Associação dos Servidores Municipais (Asserpi). Ao todo, foram denunciadas 11 pessoas, entre donos, médicos e funcionários do Hospital e Maternidade Iguaçu e da Clínica Médica Colúmbia (hoje Hospital e Maternidade Cataratas).
As duas clínicas mantêm convênio com a Asserpi para atender funcionários da Prefeitura de Foz do Iguaçu e seus dependentes. Desde 1º de julho, os recursos repassados pela prefeitura à Asserpi - cerca de R$ 150 mil mensais - passaram a ser administrados por uma empresa contratada, a ADM Administradora de Serviços Médicos. Além de credenciar médicos e hospitais, a ADM ficou encarregada de conferir as contas apresentadas por esses prestadores de serviço.
O promotor acusa o Hospital e Maternidade Iguaçu de ter fabricado 17 bebês fantasmas durante o mês de agosto deste ano. Segundo a denúncia, diretores, médicos e funcionários da clínica falsificaram prontuários de cesarianas que teriam sido realizadas em servidoras municipais que nem chegaram a ser atendidas na clínica naquele mês e que nunca ficaram grávidas.
Além disso, a clínica teria fraudado também outros cinco prontuários no mesmo período, com cirurgias e tratamento clínico em servidores municipais que também sequer teriam sido atendidos no estabelecimento naquele mês.
Com as fraudes, de acordo com a denúncia, a clínica iria lucrar R$ 16.271,50 no período. A despesa verdadeira da Asserpi, com os serviços realmente realizados, ficou em R$ 3.011,90 e as faturas enviadas pelo Hospital e Maternidade Iguaçu somam R$ 19.283,40. Esse valor não chegou a ser pago porque a Asserpi desconfiou do número elevado de cesarianas e levou o caso ao Ministério Público.
O promotor denunciou o diretor do hospital, Carlos Henrique Martinez Delgado; seus sócios, o relações-públicas João Paulo Barboza de Souza e o médico Valmir Pineli Alves; o diretor clínico Sérgio Antônio Bertolotto Schuchowski; a faturista Eliéges de Fátima Brambati e a gerente financeira Sandra Maria Vargas. Eles são acusados de formação de quadrilha, estelionato e falsificação de documentos.
Consultas No caso da Clínica Colúmbia (que, em setembro mundou seu nome para Hospital e Maternidade Cataratas), o promotor acusa o estabelecimento de ter adulterado 19 guias de atendimento de pacientes, entre os dias 5 e 27 de julho deste ano. Na maioria dos casos, segundo a denúncia, uma simples consulta médica (pela qual a Asserpi paga R$ 20,00) era transformada em internamentos de até quatro dias, cujos valores ultrapassam R$ 700,00 - um superfaturamento de 3.500% nas despesas.
Em um dos casos que constam da denúncia, a servidora Djanira Almeida dos Santos foi submetida a uma consulta na clínica no dia 13 de julho. Mas foram cobrados da Asserpi R$ 711,75 relativos a quatro dias de internamento, com acompanhante. Além disso, consta que ela teria recebido medicamentos e sido submetida a exames radiológicos.
De acordo com a denúncia, a clínica cobrou da Asserpi R$ 17.677,47, quando o valor real seria de R$ 10.074,38. Como a ADM não tinha o dinheiro suficiente, desse total a administradora pagou apenas R$ 12.374,22 - R$ 2.299,84 acima do valor real. Na denúncia, encaminhada à 3ª Vara Criminal da Comarca de Foz, o promotor pede que esse valor excedente seja sequestrado do caixa da clínica.
Foram denunciados o advogado Ramon João Correa, diretor da clínica; o administrador Aguinaldo da Costa Leitão Filho; a assistente administrativa Janete Andrade Correa; a enfermeira Leila Terezinha Cheway Salvati e a auxiliar de administração Jaqueline Gregolin dos Santos. Os cinco são acusados de formação de quadrilha, estelionato e falsificação de documentos.
As duas denúncias foram encaminhadas à 3ª Vara Criminal do Fórum de Foz do Iguaçu. Agora, o juiz Marcelo Gobbo Dalla Déa deverá processar os acusados.


