Promotor denuncia Carambeí por poluição
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de maio de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O promotor de defesa do Meio Ambiente de Londrina, Cláudio Esteves, apresentou ontem denúncia contra a empresa de fiação têxtil Carambeí e seu ex-diretor José Carlos Tibúrcio, com base em inquérito policial instaurado em julho de 1999. Na denúncia apresentada à juíza da 4 Vara Criminal, Carla Pedalino, o promotor solicita que os denunciados sejam processados. Segundo ele, a pena de detenção é de um a cinco anos.
O inquérito policial foi instaurado por causa da prisão de Tibúrcio, ex-secretário estadual de Agricultura, durante fiscalização feita na empresa, sob comando da promotoria do Meio Ambiente. Além da empresa estar provocando poluição ambiental, o ex-diretor teria tentado impedir a fiscalização. Tibúrcio ficou uma noite preso, pois seu advogado, Carlos Henrique Schiefer, conseguiu provar que ele não fazia mais parte do conselho de administração da empresa.
Em sua argumentação, Esteves alega que, durante um período não determinado, a Carambeí e ''seu responsável'' permitiram que a unidade industrial promovesse, sem o devido tratamento, o lançamento irregular de resíduos líquidos decorrentes do processo industrial no Ribeirão Cambezinho, nas imediações da empresa, que teria ficado comprovado em análises feitas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), anexadas ao inquérito.
Carlos Schiefer disse ter ficado surpreso e considerou um ''absurdo'' a atitude do promotor. Ele ressaltou que a prisão de Tibúrcio foi considerada ''arbitrária e ilegal'' pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O advogado acrescentou que não tinha conhecimento da existência de um inquérito policial e que nenhum diretor da empresa foi citado para depor. ''Se realmente existe, a empresa vai procurar se defender'', declarou. Schiefer afirmou ainda que as amostras colhidas na empresa foram ''forjadas'', pois teriam sido feitas durante o período noturno e sem o acompanhamento de funcionários da Carambeí.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, confirmou que a empresa atendeu as solicitações para evitar a continuação do despejo de dejetos sem tratamento no Ribeirão Cambezinho. Mesmo assim, adiantou que, nos próximos dias, fará outras coletas para verificar se não ocorreram novos casos.


