Marcos Zanatta
O promotor substituto de Marialva (17 km de Maringá), Denilson Soares de Almeida, ofereceu denuncia contra quatro acusados de colocar fogo na sede de ‘‘O Jornal de Marialva’’. O incêndio resultou em queimaduras de primeiro e segundo graus no jornalista César Augusto de Lima, 53 anos. Foram denunciados Ademilto Roberto Prado, 23 anos, Genival Elias da Silva, 23 anos - ambos já foram presos e confessaram o crime -, Simão Domingos de Souza, acusado de ter contratado os dois, e o vereador João Gonçalves Medeiros (PTB), acusado de ser o mandante do crime.
‘‘Não quer dizer que existam provas contro todos, apenas indício de participação’’, explicou ontem o promotor à Folha. Segundo ele, o juiz tem prazo de cinco dias para acatar ou não a denúncia. O vereador João Medeiros disse ontem que não tem conhecimento da decisão do Ministério Público e que não tem nada a ver com o crime contra o jornalista Lima.
Ele acrescentou que já foi vereador três vezes, vice-prefeito, é cristão e que é contra qualquer atitude violenta que possa prejudicar sua imagem de empresário e pai de família. ‘‘Estão jogando esse crime para cima de mim porque sou pobre, mas estou acionando o secretário de Segurança (Manoel Candido Martins) para me precaver’’, informou Medeiros.
O crime contra o jornalista aconteceu na madrugada do dia 13 de dezembro. Dois homens jogaram combustível na sede do jornal, no centro da cidade, e colocaram fogo. Lima dormia em um quarto nos fundos e teve queimadura nos dois pés, braços, mãos, costas e parte do rosto. No dia 24 a Polícia Civil de Sarandi prendeu Prado e Silva, que confessaram ter recebido R$ 200 cada para colocar fogo no jornal a mando de Simão de Souza, que está foragido.
O jornalista disse ontem à Folha que está com 80% do corpo recuperado e precisa ainda de mais 45 dias de fisioterapia para voltar ao normal. Ele pretende fazer enxerto de pele na mão direita e em um dos pés, para começar a andar de muletas.

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