Promotor denuncia 12 envolvidos em confronto
O promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões Iassaka, denunciou 12 pessoas envolvidas no caso da Fazenda Borborema em Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina) em que acabou morrendo o segurança José Lopes de Oliveira, conhecido por Django. Envolveram-se na confusão sem-terras que haviam invadido a sede e o arrendatário da fazenda, Pedro Ribeiro do Carmo. O arrendatário, junto com seus seguranças Edson Ricardo Lucena, João Henrique de Britto Gozzo e Django, foram ao local expulsar os sem-terra.
A maioria das provas do caso estão fundamentadas em um vídeo gravado pela TV Londrina, que registrou as cenas ocorridas no local do crime. A denúncia do promotor se baseou em todos os fatos registrados após a chegada dos seguranças, inclusive, o homicídio.
Conforme os autos do processo, a confusão teve início no dia 27 de abril do ano passado, quando Pedro Ribeiro e seus seguranças chegaram na fazenda, ameaçaram de morte os sem-terra e ofenderam verbalmente as famílias. Na ocasião, alguns sem-terra resolveram abandonar o local e outros, mais revoltados, resolveram ficar. No mesmo dia o coordenador regional do Movimento Sem Terra (MST), Josmar Choptian, chegou no local e fez uma reunião com os sem-terra.
Nos autos também consta que, na madrugada do dia seguinte (domingo), um grupo de sem-terra montou acampamento em frente a sede da fazenda e disparou diversos tiros. Horas depois teriam invadido a sede pelos fundos e dominaram os segurança Django e Edson Lucena. Os dois foram obrigados a se deitar no chão, quando então foi disparado o tiro na cabeça de Django. Edson Lucena apanhou muito dos invasores e foi liberto quando a Polícia Militar chegou ao local. Na ocasião foram furtadas duas armas dos seguranças. Apesar das cenas da invasão terem sido gravadas em vídeo, até hoje a polícia não conseguiu saber quem disparou contra Django. Os sem-terra denunciados, além de Choptian, são: Alcino Menezes, Oscar Modesto Filho, José Gomes da Silva, Rubens Aparecido da Silveira, José Lourenço Barbosa, Nelson dos Santos e Francisco Geraldo Pereira, que está foragido.
O promotor disse que o arrendatário Pedro Ribeiro e seus seguranças (excluindo Django que morreu) serão processados por ameaça de morte. Os sem-terra, por homicídio qualificado, cárcere privado, lesões corporais graves e furtos de armas.Arquivo FolhaPeritos fazem reconstituição da morte de Django na Fazenda BorboremaPaulo Ubiratan





