Londrina
O promotor Pedro Carvalho Santos Assinger, de Ibiporã, concluiu que a competência para julgar a morte do pastor José Idalécio Bueno, 36 anos, ocorrida no último dia 9 de fevereiro, não é da Justiça comum. O despacho do promotor, de 22 páginas, foi encaminhado ontem à Vara Criminal de Ibiporã e sugere ao juiz Fernando Silva Gonçalves enviar o processo para a Justiça Militar. O juiz ainda hoje deve ter uma posição sobre o assunto.
Pedro Carvalho falou à Folha ontem por telefone e não quis entrar em detalhes sobre o parecer. ‘‘Entendi que a competência é da Justiça Militar. Várias questões foram analisadas, matérias de fato e de direito. É muito complexo para que seja resumido’’, justificou o promotor.
Para o advogado Giovani Macedo, do escritório Sranz e Macedo e que representa a família do pastor, a decisão de Pedro Carvalho foi precipitada. Ele explica que existem algumas questões importantes, que poderiam trazer nova luz sobre os fatos, mas que ainda não foram respondidas no inquérito. ‘‘Nós apresentamos essas perguntas, informalmente, ao Milani (Fernando Milani de Moura, médico legista do Instituo Médico Legal de Londrina) e ele se negou a responder’’, lembra.
O advogado acrescenta que o promotor poderia intimar Milani para responder tais questões mas preferiu não fazer isso. Giovani Macedo, no entanto, também não quis entrar em detalhes sobre quais seriam essas perguntas, por considerar que isso atrapalharia a evolução do processo.
Para o advogado da família Bueno, o receio é que com a transferência do caso para a Justiça Militar os acusados do crime não sejam punidos. ‘‘A posição é delicada porque a forma com que a Justiça Militar julga é diferente da Justiça Comum. Por isso, os exemplos que nós temos não são favoráveis e a perspectiva não é boa’’, acredita. Giovani Macedo disse também que a viúva do pastor Idalécio Bueno, Mara Bueno, esteve ontem em Ibiporã e ficou revoltada com a decisão do promotor.
Ainda ontem o advogado protocolou pedido ao juiz Fernando Silva Gonçalves para que ele autorize a exumação do corpo do pastor Idalécio Bueno para novos exames periciais. Se o juiz autorizar, Macedo informa que pretende contratar os serviços ‘‘de um médico de Brasília, o doutor Palhares’’, que tem competência na especialidade reconhecida nacionalmente. O advogado referia-se ao médico-legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (Unicamp), que entre outros casos foi responsável pelo primeiro laudo sobre a morte de Paulo César Farias, o PC.
José Idalécio Bueno morreu após uma discussão de trânsito com policiais militares e rodoviários. Ele foi detido por PMs na BR-369, entre Ibiporã e Londrina, sob a alegação de direção perigosa. Em frente ao posto da Polícia Rodoviária de Ibiporã, o pastor discutiu com os policiais e foi colocado em uma viatura, onde teria morrido afogado no próprio vômito.
Os policiais militares acusados são o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Também estão envolvidos no caso os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira.
A morte do pastor também foi apurada por um Inquérito Policial Militar (IPM), encerrado no dia 28 de abril. O IPM concluiu que os policiais militares são inocentes. O responsável pelo inquérito, tenente Luis Francisco Serra, afirmou que não houve transgressão disciplinar nem indícios de crime militar. O Comando Geral da PM em Curitiba deve analisar o IPM e enviá-lo à Auditoria Militar, que será responsável pelo caso.

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