O promotor de Guaratuba Carlos Alberto Dal’Coll, segunda testemunha de acusação a depor no julgamento de Celina e Beatriz Abagge, disse ontem que as rés podem estar envolvidas na morte de outras duas crianças. Segundo o promotor, a agente da Polícia Federal em Guaratuba Benjamin Custódio da Silva teria dito que ouviu Celina e Beatriz confessando a participação na morte de Leandro Bossi e Guilherme Caramês, dois meninos que figuram na lista de crianças desparecidas no Paraná.
O agente Benjamin teria feito essa afirmação ao promotor no dia 2 de julho de 1992, data em que as rés foram presas em Guaratuba. Dal’Coll disse que a confissão lhe foi relatada ‘‘informalmente’’. Benjamin teria dito que tinha uma fita com as confissões gravadas. O promotor disse que não chegou a ouvir a gravação e que não pode confirmar se ela realmente existe.
Até então, essa possível confissão de Celina e Beatriz era desconhecida pela Justiça. O advogado de defesa Osmann de Oliveira fez um requerimento à juíza Marcelise Weber convocado a prestar depoimento. Ele pediu também a busca e apreensão da fita. A juíza disse que decidirá a questão nos próximos dias.
Ontem pela manhã, o advogado de defesa Ronaldo Botelho se desentendeu com o promotor Celso Ribas e a juíza precisou interromper a sessão por 20 minutos. Irritado com a repetição de perguntas feitas por Ribas durante o interrogatório de Dal’Coll, Botelho se levantou e ‘peitou’ o promotor. ‘‘Você parece um bobão! O que você está pensando?’’, provocou Botelho. ‘‘Não é com barrigadas que você vai me intimidar’’, gritou Ribas. A sessão foi suspensa e os advogados se acalmaram. (C.P.)

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