O promotor Renan Gabardo Fava começou a investigar ontem a denúncia de três detentos da Cadeia Pública do bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, de que quatro ‘‘presos de confiança’’ estariam vendendo os espaços dentro das celas. De acordo com familiares dos presos, eles estariam pedindo dinheiro em nome de carcereiros para ter mordomias dentro da cadeia, que inclui até o uso de telefones celulares.
A denúncia envolvendo os carcereiros foi feita na semana passada, mas só foi revelado ontem pela Promotoria. Segundo o esquema denunciado por familiares dos presos, os detentos de confiança vendiam espaço nas celas e autorizavam o uso de aparelhos de rádio, televisão e até telefone celular. ‘‘Tem traficante usando telefone dentro da cadeia’’, teria dito uma das denunciantes.
De acordo com a denúncia, os familiares dos presos que queriam privilégios eram obrigados a depositar o dinheiro em uma conta corrente numa agência bancária de Foz do Iguaçu. O juiz corregedor Ruy Muggiatti atendeu pedido da Promotoria e determinou a quebra do sigilo da conta e bloqueou o dinheiro depositado.
Fava levantou que a conta está em nome da esposa de um dos presos de confiança. Apesar de confirmar a denúncia, o promotor não quis revelar os nomes dos presos envolvidos e dos carcereiros denunciados.
Muggiatti também mandou apreender os computadores da cadeia. De acordo com Fava, os arquivos dos computadores vão permitir acesso ao mapeamento das celas e poderá revelar se os carcereiros estão ou não envolvidos no esquema. ‘‘Há muito tempo isso vem ocorrendo na cadeia. Quem tem dinheiro leva vantagens’’, disse um dos denunciantes.
Segundo familiares dos detentos, os carcereiros ameaçavam colocar presos de alta periculosidade junto com presos que cometeram crimes comuns somente para praticar a extorsão. Atualmente, de acordo com funcionários, a cadeia está com 258 presos, número bem acima da capacidade que é de 164. A Folha procurou o diretor da cadeia, Vanderlei Batista, mas não conseguiu localizá-lo. Segundo funcionários, ele estaria no prédio da Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu.

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