O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e da Infância e Juventude, Paulo Tavares, questionou o projeto do governo estadual que pretende ampliar leitos de UTI em hospitais filantrópicos, sendo que a previsão para o HU dependeria de reformas e da contratação de profissionais especializados.
''Já estamos com um procedimento administrativo por ocasião da morte de Maria Inês Batista Pires, que aconteceu em junho deste ano, depois de esperar por 7 horas uma vaga em UTI. Uma comissão foi instaurada e constatou uma defasagem de Unidades de Terapia Intensiva entre 20 e 25% em Londrina. A Secretaria Estadual de Saúde disse que não havia essa necessidade. Estamos solicitando ao HU relatórios sobre internações, tempo de espera e já sabemos que é de mais de um dia pelo menos. Estamos acrescentando mais informações'', disse.
De acordo com o promotor, o Estado se mostra ausente diante dessa situação. ''Não é um problema sazonal, como quer afirmar o governo, mas um problema gravíssimo. O Estado deve ampliar leitos em hospitais públicos e não em filantrópicos, que atenderiam tanto pacientes particulares, como conveniados de planos de saúde. Acredito que teríamos que ter mais 10 leitos no HU, que é um hospital de referência e universitário'', avaliou Tavares, que disse ainda que pretende tomar as medidas legais que estiverem ao alcance do MP.
''Não vou adiantar quais medidas, mas seriam no sentido de garantir a ampliação de leitos'', afirmou o promotor, estipulando um prazo até o final do ano para concluir o procedimento administrativo.
O diretor clínico do HU avaliou a atuação do MP na expectativa de solucionar o problema da falta de UTIs no HU, que para alguns professores da instituição não tem precedente nos últimos 30 anos. ''O Ministério Público tem pouca influência. Todas as vezes em que se manifestou conseguiu pouca coisa'', resignou-se Moreira Júnior.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, destacou que não há dúvida sobre a necessitade de ampliação de leitos de UTI na cidade. ''É difícil que a ampliação de leitos na Santa Casa e Hospital Evangélico resolvam o problema do HU. A prefeitura se comprometeu em adquirir respiradores para podermos emprestar para os hospitais. Estamos comprando quatro aparelhos e em processo de licitação para a compra de mais dois respiradores, sendo que já foi aberta a licitação. Acredito que até no começo do ano que vem esses respiradores estariam disponíveis'', disse Fernandes.
Ontem pela manhã, o secretário ainda não tinha sido informado sobre a situação dos hospitais londrinenses e a oferta de vagas em UTIs. ''Sei que ontem (anteontem) tiveram que fazer uma mágica para atender a demanda de UTIs'', concluiu Fernandes. (F.L.)

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