Promotor apura cirurgia realizada no HU
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quinta-feira, 19 de setembro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, instaurou ontem processo administrativo para apurar procedimentos médicos realizados pelos Hospitais Universitário (HU) e das Clínicas (HC), de Londrina, após mais de três horas de depoimento prestados pelo servidor público José Carlos Fortunato de Paula, 32 anos, e sua mãe, Lindalva Carvalho de Paula, 62 anos. Serão requeridos dos dois hospitais toda a documentação relativa aos exames e prontuários médicos, durante uma cirurgia no ouvido que deixou sequelas graves ao servidor. A promotoria também pretende ouvir os médicos envolvidos e designar um perito para nova avaliação médica.
No dia 21 de março, Fortunato foi internado no HU para a realização de uma cirurgia de enxerto no ouvido esquerdo, considerada simples. Mas, durante a cirurgia, entrou em coma, do qual saiu somente 20 dias depois.
Depois da operação, Fortunato não consegue mais andar, sofre de tremores constantes, teve perda de memória e apresenta extrema dificuldade para falar e escrever. Antes da cirurgia, Fortunato trabalhava em dois empregos, um deles no Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Quero uma explicação sobre o que aconteceu, porque o meu filho era normal'', disse Lindalva. O promotor Paulo Tavares considerou o caso de extrema gravidade. ''Não há como negar que é muito estranho uma pessoa entrar normal em um cirurgia e sair desse jeito'', comentou.
Ontem, o diretor-clínico do HU, Sinésio Moreira, afirmou que o caso é ''complexo'' e que está sendo analisado pela Comissão Ética do hospital.


