Promotor aproveita cheia para evitar retorno do gado
UMUARAMA - A ocupação do arquipélago de Ilha Grande pelo gado é um problema que agora pode estar prestes a ser resolvido. Nem que seja à força, afirma o promotor do Meio Ambiente da comarca de Umuarama, Pedro Valter Torrezan. A idéia do Ministério Público e dos órgãos ambientais é fazer cordões nas margens do rio para não deixar que o gado, retirado por causa das cheias, volte para as ilhas. Estamos dispostos a fazer uma grande mobilização, diz o chefe do escritório regional do IAP, Clori Pontelo.
A elevação da Ilha Grande para Estação Ecológica, em dezembro de 94, limitou ainda mais o extrativismo. Em grande parte da área central da ilha, a única movimentação permitida é a de pesquisadores. Trata-se de um local intocável, hoje coberto pela água, mas que ainda é devastado pelo gado durante a estação seca. Os outros pontos estão protegidos pelas Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Nelas, os ilhéus podem plantar e criar no máximo cinco bovinos cada um.
Porém, cerca de 5 mil bois e 500 búfalos ainda são criados livremente no arquipélago de Ilha Grande. Os animais são considerados inimigos das ilhas porque ocupam áreas desmatadas para a formação de pastagens e, além disso, pisoteiam as barrancas das ilhas, tornando-as suscetíveis à abertura de canais, por onde a água invade a terra. O gado com maior poder de destruição é o búfalo. Devido ao seu couro negro, o animal precisa estar constantemente se banhando no rio para evitar a infestação de parasitas.
Há dois anos, fazendeiros, órgãos ambientais e o Ministério Público fecharam um acordo para a retirada dos animais. Apenas a metade dos fazendeiros cumpriu a determinação. Os outros mantiveram o gado e continuaram formando novas pastagens. A briga está na Justiça. No ano passado, chegou a ser anunciada uma multa diária de R$ 100,00 para cada animal mantido na ilha, mas os fazendeiros conseguiram liminar suspendendo a punição.(L.R.)





