O promotor Celso Ribas disse ontem, no 22º dia do julgamento de Celina e Beatriz Abagge, que tem certeza que o corpo do menino Evandro Ramos Caetano, morto em um suposto ritual de magia negra em 1992, não está mais enterrado no cemitério de Guaratuba. Ele diz que acredita que os restos mortais do garoto foram trocados ou até mesmo retirados de sua sepultura. Segundo o promotor, a troca explicaria a insistência dos advogados de defesa em fazer a exumação do corpo. Se fosse concluído que o cadáver não é de Evandro, Celina e Beatriz seriam inocentadas pelo crime.
A dúvida já havia sido levantada pela promotoria na tarde de sábado, durante o depoimento do médico legista Francisco Moraes e Silva. Uma das juradas perguntou por que a defesa - que sustenta a tese de que o corpo encontrado não é de Evandro - não pede a realização do exame de DNA no fêmur do garoto (mantido no Instituto Médico Legal, em Curitiba) para comprovar a identidade do cadáver. Os advogados da defesa afirmaram que o material recolhido no IML pode estar ‘‘comprometido’’ e que o único exame de resultado preciso seria o DNA do corpo exumado. O promotor Celso Ribas reagiu à idéia da exumação, dizendo que a promotoria ‘‘não sustentaria’’ que o material existente no cemitério pertença a Evandro.
‘‘Neste caso parece que temos um homicídio sem um morto’’, rebateu o advogado de defesa Osmann de Oliveira. O promotor disse não ter idéia do paradeiro do corpo, e que por isso tem insistido para que as testemunhas confirmem que o cadáver examinado no dia 12 de julho de 1992 era de Evandro.
Ontem, a odontolegista Beatriz Sotile França, uma das responsáveis pelo laudo de necrópsia, confirmou que o menino morreu por asfixia mecânica. A conclusão é baseada na coloração rosada dos dentes da criança, provocada pelo rompimento, durante a asfixia, dos vasos sanguíneos que irrigam o crânio. Para a odontolegista, não há dúvidas que o corpo é mesmo de Evandro.

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