Marcos BorgesGarantiaCândido de Oliveira em visita à delegacia de Ibiporã: secretário de Segurança assegura que IPM vai ‘primar pela transparência’O procurador geral do Estado, Olimpio de Sá Souto Maior, designou o promotor da 1º Vara Criminal, Janderson Camões Yassaka, para acompanhar o Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a morte do vendedor e pastor licenciado José Idalécio Bueno. Ele morreu no domingo, dia 9, no interior de uma viatura policial. As denúncias são de que ele teria sido espancado por policiais militares.
Yassaka disse que vai estar atento para que o espírito corporativo da instituição não dê ‘‘proteção’’ aos envolvidos. Paralelo ao IPM, tramita outro inquérito na Polícia Civil, presidido pelo delegado Edmo Hermenegildo, nomeado pelo diretor geral da Polícia Civil, Toleb Baleche.
Ontem à tarde, o promotor se reuniu por duas horas no 5º Batalhão da Polícia Militar com o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira; comandante geral da Polícia Militar, coronel Luis Fernando de Lara; comandante de polícia do interior, Valdemar Kretschmir; comandante do 5º BPM, Marino Ari Burille; comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária, José Rigoni Filho e o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro.
Após a reunião, Cândido de Oliveira disse que o IPM vai ‘‘primar pela transparência’’ e, se houver culpado, ele será punido. O comandante geral da PM disse que muita gente já está pré-julgando os policiais militares e afirmou que os suspeitos pelo espancamento estão recolhidos no quartel do 5º BPM. Segundo ele, todas as providências disciplinares estão sendo tomadas de acordo com a lei. ‘‘É impossível, por enquanto, qualquer outra medida contra os suspeitos a não ser ouvi-los.’’
Por enquanto, no IPM só há denúncia formalizada contra o sargento Levi Teófilo, que teria agredido o pastor após parar o carro da família de Bueno no posto rodoviário perto de Ibiporã, na BR-369. Ele e os outros possíveis acusados não serão ouvidos diretamente pelo promotor Yassaka. As mesmas declarações que eles deram no Inquérito Policial serão requisitadas para serem anexadas ao IPM.
O promotor disse que vai ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. Na manhã de ontem, dez pessoas ligaram para o 5º BPM e se prontificaram em defender o sargento Teófilo. Cinco delas teriam sido salvas por ele, em março de 1989, quando um ônibus da empresa Ouro Branco caiu da ponte do rio Tibagi.
Outras duas testemunhas já foram ouvidas ontem e garantem que ele não desferiu tapa no rosto de Bueno, como alega a esposa do pastor. Teófilo fez exames de lesões corporais e, segundo laudo, apresentou diversos arranhões nos braços e nas mãos. O sargento solicitou segurança para ele e seus familiraes, alegando que estão sendo ameaçados de morte.
O setor de toxicologia do Instituto Médico Legal de Curitiba constatou 2.28 miligramas de álcool no sangue do pastor e não 2.8 miligramas, como a Folha divulgou na edição de domingo, com base em informações extra-oficiais. O laudo chegou ontem pela manhã.
Na próxima sessão da Câmara, na quinta-feira, o vereador Carlos Kita (PTB) entrará com requerimento pedindo ao governador Jaime Lerner a exoneração do secretário Cândido de Oliveira. No requerimento, o secretário é classificado como incompetente.

mockup