Londrina – O clima quente e úmido, característico desta época do ano, sempre coloca os agentes de endemias em alerta para o perigo da dengue. Outro risco de infestação, no entanto, também também chama a atenção da Vigilância Sanitária em Londrina: a de caramujos africanos. Apesar da maior facilidade no combate, as autoridades do setor da saúde alertam para a importância da prevenção.
A orientação da Vigilância Sanitária é não deixar terrenos com mato alto ou com entulhos, pois a cobertura do solo serve como abrigo para os caramujos. Segundo a coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins, no verão cerca de cinco ligações por semana são registradas, principalmente após longos períodos de chuva, relatando sobre o aparecimentos dos caramujos. A média anual é de 160 atendimentos relacionados ao combate da superpopulação do molusco.
Apesar da presença dos caramujos ser notada em todas as regiões da cidade, alguns bairros apresentam situações mais críticas. No Jardim Aeroporto, na zona leste, os moradores contam que toda vez que chove os bichos surgem em grande quantidade. "Eles sobem pelo muro e em pouco tempo já estão dentro de casa. Quanto mais a gente mata, mais aparece", reclamou a aposentada Antônia Furlan, de 68 anos.
Segundo Antônia, o foco dos caramujos é um terreno ao lado da casa dela, na Rua Pero Vaz de Caminha. "Por 15 anos nós pagamos para limpar esse terreno, mas como o dono não toma atitude, vamos deixar que ele pague a multa e a limpeza compulsória", disse, referindo-se à medida que deverá ser tomada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) a partir da semana que vem. A dona de casa Tereza Rodrigues, de 68 anos, contou que tem medo das doenças transmitidas pelos caramujos. "Minha nora está grávida e eu morro de medo de doenças. O bichinho é muito nojento."
Outro lugar com frequentes reclamações dos moradores vizinhos é a mata do Jardim Cafezal 4, na zona sul. O militar reformado José Rodrigues da Silva, de 56 anos, conta que já chegou a esmagar e enterrar cerca de 30 caramujos em dias de chuva. "Se deixar eles se alastram pelas casas. Pena que nem todo mundo ajuda na manutenção da mata", criticou, enquanto varria a rua. Diana explica que o correto é abrir uma vala, esmagar os caramujos e jogar cal. O uso de luvas ou sacolas plásticas nas mãos é recomendado. Outra opção é a queima, porém as condições de segurança devem ser observadas para evitar acidentes.
Em criadouros, o molusco pode ser comestível, mas soltos na natureza eles podem ser vetores, entre outra doenças, de meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal, que pode causar a perfuração intestinal. De acordo com Mirna Germiniano, coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, a maior dificuldade no combate é que os caramujos são recolhidos e exterminados, mas muitas vezes os ovos permanecem em baixo da terra. Um exemplar pode colocar em média 200 ovos por postura e se reproduzir mais de uma vez por ano.

mockup