Começa hoje em Belo Horizonte o ‘‘Encontro Regional de Educadores’’, que reunirá 150 representantes de organizações não-governamentais (ONGs) responsáveis por projetos para inclusão social de crianças e adolescentes em situação de risco. Vinte e quatro entidades paranaenses participam do curso, promovido pelo Programa Itaú Social, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina também estarão presentes. Todas elas concorreram ao ‘‘Prêmio Itaú-Unicef - Educação & Participação’’, que selecionou, no ano passado, os melhores programas de organizações da sociedade civil no combate à evasão e à repetência escolar.
O encontro discutirá as perspectivas do Estatuto da Criança e do Adolescente, que está completando 10 anos, e a utilização dos vários espaços de aprendizagem na construção da educação integral. A expectativa é promover troca de expericiências bem sucedidas entre os participantes, subsidiando o desenvolvimento de novas idéias.
Em Londrina, a Associação da Criança e do Adolescente (Acalon) foi a única entidade selecionada para participar do curso. Responsável pela Escola Oficina, atende 170 crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal, incluindo mendicância, envolvimento com drogas e prostituição.
Alunos entre sete e 14 anos frequentam oficinas especiais de música, artes e esportes. Os mais velhos, até 17 anos, participam do programa de educação pelo trabalho, através das oficinas de padaria, lavanderia e cabelereiro, entre outras. A entidade se mantém com recursos da prefeitura, além do dinheiro obtido pelos serviços prestados pelas oficinas.
Fora do ensino regular, os alunos são readaptados às escolas convencionais através de reforço com professores. Alan Alves Nascimento, 14 anos, voltou para o colégio e já participou das oficinas de horta, limpeza e padaria. ‘‘Eu ficava o dia inteiro na rua, nem dormia em casa, estava aprendendo o que não devia. Agora espero arrumar um emprego e ajudar minha família’’, afirma.
A entidade apresenta experiências bem-sucedidas de reintegração à sociedade. É o caso dos ex-alunos Bruno Alves, 19, e Alessandro Querubim, 18, que trabalham na lavanderia da instituição. ‘‘Nossa intenção é encaminhá-los para o ensino regular e para o trabalho’’, ressalta Maria das Mercês da Silva, coordenadora da escola.
Em São Jerônimo da Serra (Norte do Paraná), a Sociedade Filantrópica Luz apresenta um projeto semelhante e também foi selecionada para o encontro. Através da educação pelo trabalho, atende adolescentes entre 12 e 18 anos nas diversas estações de produção. O apoio se estende às famílias via programa de educação para adultos , fornecimento de cestas básicas e o pagamento de bolsas-auxílio.
Crianças até seis anos formam a clientela da Creche Nice Braga, em Uraí (Norte do Estado), outra entidade selecionada. Psicólogo, nutricionista, dentista e psicopedagogos participam da formação das 98 alunos atendidos pela entidade, que recebem ensino regular no período da manhã e recreação durante a tarde. Mantida com recursos da prefeitura e colaboração da comunidade, a organização enfrenta falta de funcionários e precisou montar uma fila de espera para atender todos os interessados.

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