Para o vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Similares, Alzir Bocchi, o projeto de lei que determina um horário limite para o funcionamento dos bares é ''antipático''. ''É óbvio que o fechamento às 23 horas irá gerar desemprego'', disse. O sindicato calcula que pelo menos 10% dos 8,5 mil empregados do setor serão demitidos caso a lei seja sancionada. ''É uma concorrência desleal, já que um mercado que funciona até as 24 horas poderá vender bebidas alcoólicas de todos os tipos, sem restrição'', reclamou.
Além disso, para Bocchi, a violência em Londrina ''não tem nada a ver com a abertura dos bares''. ''Eles vão impor um pecado a quem não cometeu, é absurdo e inconstitucional, pois interfere no direito de ir e vir do cidadão.''
Apesar de repudiar a lei de fechamento dos bares, Bocchi não concorda com a venda de bebida alcoólica em postos de combustível. ''É um absurdo vender bebidas em postos. Cada coisa no seu devido lugar, senão vão começar a vender gasolina no restaurante. Além disso, traz risco de acidente para a população'', argumentou.
A londrinense Sabrina Vargas canta em bares de Londrina há 17 anos. Para ela, se o projeto de ''lei seca'' for sancionado e colocado em prática, ''será muito ruim para os artistas''. Segundo ela, hoje, os músicos trabalham sem incentivo ou apoio de empresários na cidade e enfrentam muita dificuldade para exercer a atividade. ''O problema, que já é grandioso, vai piorar.''
O gerente da área de Concessão de Atividades Econômicas (alvarás) da Secretaria de Fazenda, Joenis Veloso Alcântara Junior, acha que se os projetos de lei forem aprovados, sua equipe terá trabalho dobrado em um primeiro momento, já que a fiscalização terá que ser intensa nos estabelecimentos. ''A partir do momento que os estabelecimentos se adequarem às novas regras e se conscientizarem que não tem outro jeito, deve ficar mais fácil'', acredita.
Para o gerente, os dois projetos propostos, se entrarem em vigor, serão altamente benéficos para a população, sob vários aspectos. Ele acredita, por exemplo, que a diminuição no consumo de bebidas alcoólicas diminuiria a violência nas ruas, a violência doméstica e a poluição sonora.(Colaborou Silvana Leão)

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