Projetos incluem diversão e esporte
Os projetos desenvolvidos pelo delegado Mário Sérgio Zacheski atendem cerca de 380 crianças, de carentes a filhos de empresários e médicos. Com a ajuda da comunidade, que doou materiais, e a mão-de-obra dos presos, Bradock construiu uma quadra de esportes, um stand de tiro, um parque de diversões infantil e transformou um barracão abandonado em um centro de atendimento às crianças. Numa casa, também construída por ele, o delegado oferece aulas de judô, aiki jiu jitsu e capoeira. No barracão, uma bailarina dará aulas de balé e um preso se responsabiliza pelo curso de mecânica. Tudo na área da delegacia, com a ajuda de voluntários e sem custo nenhum para os alunos.
De uma só vez, o delegado retirou as crianças das ruas e ofereceu esporte e diversão. Benefícios que a administração municipal devia dar. Os arredores da delegacia ficam repletos de crianças o dia todo. E, por isso, nem mesmo os projetos escapam da polêmica. O trabalho com as crianças está longe de ter a aprovação do Conselho Tutelar da cidade, que o vê com inúmeras reservas. O caso chegou a ser discutido com o promotor de Justiça da cidade, que acabou indo embora. O novo promotor Mário Ramidoff não fala no assunto.
Uma conselheira, que não quer ser identificada, dispara contra o delegado. Ele é meio autoritário, fez e está fazendo as coisas, mas é bem complicado, afirma. Segundo ela, uma equipe multidisciplinar deveria acompanhar os projetos, o que não acontece. Um dos problemas é o fato dos presos manter contato com as crianças, alguns deles ministrando cursos inclusive.
Longe da discussão, o estudante Dileno Francisco Moreira, 13 anos, o monitor de capoeira Carlos Alberto Becker, 25 anos, e a professora de balé Daniele Gaia, 17 anos, elogiam a iniciativa do delegado. Ele dá chance aos que não podem pagar, como eu, diz o estudante, que faz curso de capoeira há um mês. A população também gosta dos cursos. A professora aposentada Sheila Ferreira Olsen, 52 anos, acha o trabalho de Bradock muito bom. O líder de manutenção Adriano Roberto Veiga, 30 anos, acredita que Bradock não deve ser transferido e que a perseguição ao delegado tem fundo político.
O prefeito Ari Siqueira disse que não considera arriscado a mistura de presos com as crianças. Os presos já estão reabilitados. Se os pais não vêem problemas.... A presidente do Conselho Tutelar foi procurada pela Folha, mas não foi encontrada, nem retornou ligação telefônica.(J.A.)





