Projetos atraem voluntários da ONU
Projetos atraem voluntários da ONU
Mobilização comunitária, apadrinhamento de crianças indígenas e uma escola de direitos humanos são algumas das tarefas
Kraw PenasTorre de BabelEstrangeiros, com seus dicionários, tentam estabelecer uma comunicação em meio às diferenças de línguasMaigue Gueths
Há pelo menos dois meses, a Ouvidoria Geral do Estado transformou-se numa verdadeira Torre de Babel. A língua oficial é o portunhol, mas fala-se de tudo: inglês, francês, espanhol, japonês e, é claro, o português. A diferença entre a Ouvidoria e a famosa Torre é que ali todos se entendem, afinal, são todos estrangeiros voluntários que vieram trabalhar em um projeto para a cidadania na América Latina.
Ao todo 15 estrangeiros, integrantes do Centro Internacional de Especialistas Voluntários para o Desenvolvimento da Cidadania (ICSV), estão vindo para Curitiba. Embora o Centro já exista há 20 anos dentro das Nações Unidas esta é a primeira vez que os voluntários - ou missões, como são chamados - vêm ao Brasil. Aqui os estrangeiros estão desenvolvendo um projeto também inédito para eles, acostumados a prestar assistência humanitária nos países aos quais são designados, especialmente em situações de conflito. A missão vai trabalhar integrada com especialistas brasileiros em projetos na área da cidadania. Separados em treze equipes, eles vão esmiuçar as seguintes áreas: direitos humanos, participação comunitária e cidadania, meio ambiente e habitat, educação, cultura, esporte e lazer, turismo, saúde, trabalho e geração de renda, produção, agricultura, infância, juventude e família.
Vários programas estão em andamento. É o caso do Fórum de Desenvolvimento de Paranavaí. O espanhol Alfredo Gadea Sancho, que faz parte do grupo sobre Participação Comunitária e Cidadania, conta que a idéia é trabalhar em cima de uma iniciativa da sociedade civil daquele município, que vem se reunindo para discutir e propor soluções aos problemas da cidade. O projeto pretende fazer uma pesquisa com a população e propor modos de organizar as demandas que surgirem.
Outra iniciativa interessante é o apadrinhamento de crianças indígenas, que pretende garantir as necessidades básicas e criar renda para que os menores venham a ter uma formação melhor. O projeto fará uma experiência piloto com a tribo dos kaigang de Guarapuava. A criação de uma Escola de Direitos Humanos e Cidadania é a menina dos olhos do ouvidor João Elias de Oliveira. Até o final do ano ele pretende estruturar a escola, que oferecerá seminários, cursos rápidos e pós-graduação nestas áreas. São todos projetos factíveis, que transformam o sonho simples em realidadae, diz o ouvidor.





