CAMPO MOURÃO - Ruas e avenidas largas mas sujas e sem cor, num visual de causar desânimo ao mais animado dos foliões. Essa foi a impressão que Campo Mourão deixou para muita gente que passou pela cidade. Uma série de projetos paisagísticos eambientais implantados nos últimos anos, no entanto, mudaram a ‘‘cara’’ da cidade. Hoje, não existe uma quadra do perímetro central que não tenha coloridíssimos jardins com cerca de oito espécies de flores que se revezam nos canteiros pelo menos quatro vezes por ano. Cada época tem sua flor apropriada.
Os pequenos, mas sempre floridos jardins, que agora orgulham moradores e encantam visitantes, já foram alvo de muita polêmica. Com um visual urbanístico que não mudava desde a fundação da cidade, com exceção da chegada do asfalto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente teve que ouvir muita chiadeira quando começou a quebrar os canteiros centrais de concreto para transformá-los em jardins. As ‘‘florzinhas’’ chegaram a virar tema de críticas em campanhas eleitorais. A alegação era que a Prefeitura só plantava flores.
Antes de plantar flores nos antigos canteiros de concreto, a prefeitura também já tinha sido alvo de críticas pela construção de rotatórias floridas na Avenida Capitão Índio Bandeira, a principal da cidade. Disseram que as rotatórias ficaram parecidas com túmulos. ‘‘As pessoas estavam acostumadas a só verem flores no cemitério’’, conta o ex-secretário municipal de Meio Ambiente, o agrônomo Edson Battilani, que se afastou do cargo este mês para assumir a Câmara de Vereadores em janeiro. ‘‘Hoje ninguém critica mais’’.
Radical De fato, as críticas acabaram. Mas foi preciso muita firmeza - e paciência - para aguentar as reclamações surgidas este ano, quando o Município ‘‘radicalizou’’ nos jardins construídos na Avenida Manoel Mendes de Camargo. As esquinas chegaram a ser estreitadas e alguns trechos fechados para dar lugar às flores coloridas. Foi uma ‘‘punhalada nas costas’’ dos que ainda se orgulhavam das ruas largas e do vai-e-vem de todas as vias e cruzamentos da cidade.
O apregoado caos no trânsito, no entanto, não veio. E as flores ficaram. ‘‘A cidade não tem mais aquele tom cinzento’’, ressalta Battilani. Pudera. Pelos jardins que se espalham pelas ruas, predominam flores vermelhas, amarelas e alaranjadas. E como tudo é trocado a cada 90 dias, as flores estão sempre lá, radiantes e coloridas. Difícil é manter tudo isso, certo? Errado. Pelo menos é o que jura o agrônomo. Todas os jardins centrais são mantidos por uma verba de R$ 300,00 mensais que a cidade recebe de royalties ecológicos.
‘‘Dá e ainda sobra’’, conta Battilani. Tanto é assim, que para este final de ano a Secretaria se deu ao luxo de mandar fazer camisetas com mensagens ecológicas com as sobras dessas verbas. É que todas as flores e plantas são produzidas no Horto Florestal mantido pela prefeitura. Daí, aproveita-se toda a estrutura existente, incluindo três funcionários, e gasta-se somente na compra de sementes e na irrigação, que é feita diariamente com um caminhão-pipa.
Parque Mas nem só pelas esquinas ficaram as flores de Campo Mourão. O projeto que tem maior simpatia popular é a revitalização do antigo bosque municipal, rebatizado de Parque do Lago. A prefeitura gastou cerca de R$ 400 mil e manteve o local fechado por mais de um ano para transformar o bosque abandonado no principal cartão de visitas da cidade. Até um anfiteatro ao ar livre, com palco dentro da água, foi construído, além de um orquidário.
O parque ganhou uma pista de cooper com 2,6 mil metros - grande parte em meio à mata - que passa por dois pontilhões sobre o lago (um deles tem 150 metros de comprimento) e atrai centenas de pessoas todos os dias para as caminhadas. Um dos frequentadores assíduos das caminhadas é o prefeito Rubens Bueno (PSDB). Há ainda quem vai ao parque alimentar as enormes carpas do lago.
Às margens do lago da Usina Mourão, a 9 quilômetros da cidade, surgiu outro projeto audacioso. A prefetura se juntou à Copel, dona da área, e à Secretaria de Estado do Meio Ambiente para criar o Centro Regional de Educação Ambiental. A principal atração do local são quase 10 quilômetros de trilhas ecológicas abertas em meio aos 500 hectares de mata nativa existentes no local.
Trilhas As trilhas são para todos os gostos. Há pelo menos uma ‘‘bem comportada’’, 2,3 quilômetros, que é usada geralmente por crianças que visitam o CEA em caravanas escolares. Uma outra, com quatro quilômetros, tem até um buraco que só é vencido com a ajuda de cabos de aço suspensos. As trilhas passam ainda por duas cachoeiras (uma com seis metros de altura), um lago interno e por ruínas de uma usina hidrelétrica construída na década de 1950.
Além da educação ambiental (ninguém entra nas trilhas sem o acompanhamento e a orientação de funcionários do Centro) existe também o interesse no chamado turismo ecológico. Mata, beleza e história é o que não falta. Por isso mesmo, um projeto mais amplo prevê a criação de uma área de lazer aberta ao público às margens do lago da Usina Mourão, na BR-487, que liga a Guarapuava. Atualmente, têm acesso ao lago apenas propriedades particulares. Uma limitação que pode estar prestes a acabar.

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