Uma questão de cãonsciência. Com três anos de existência, o Projeto Vida, do Departamento de Clínicas Veterinárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL), realiza mais uma campanha com o objetivo de conscientizar os proprietários de cães sobre a doação voluntária de sangue animal e, consequentemente, a manutenção do Banco de Sangue de Cães do Hospital Veterinário (HV). Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Mendes Pereira, o banco de sangue do HV é um dos poucos do Brasil e conta com 30 doadores voluntários; número insuficiente para suprir a demanda. ''Precisamos de, no mínimo, 70 animais para atender Londrina e região. Com o estoque que temos hoje não conseguimos suprir as necessidades do HV'', lamenta a professora.
De acordo com Patrícia, o HV realiza de seis a oito transfusões por semana, e o ideal seria o banco de sangue possuir três bolsas armazenadas no estoque. A quantidade doada por animal - entre 400 e 450 ml - pode ser utilizada por até mais de um cão, principalmente quando se trata de receptores de pequeno porte. A transfusão de sangue salva vidas de cães atropelados, anêmicos ou com problemas hepáticos.
Para fazer parte do banco de sangue, o animal deve ter acima de 28 quilos (não obeso) e ser de qualquer raça. Também é necessário que o cão permita manipulação na presença do proprietário, visto que ele não é anestesiado e o procedimento dura cerca de 15 minutos. ''Caso o cão esteja muito agitado remarcamos a coleta'', avisa a coordenadora do projeto. Antes da doação, o animal passa por uma criteriosa avaliação clínica e são feitos alguns exames de sangue para verificar o estado de saúde dele.
O procedimento é realizado na presença do proprietário, em local apropriado e com o animal deitado sobre uma mesa. O sangue coletado pode ficar armazenado entre 28 e 35 dias. O líquido é retirado da veia jugular do cão ou, se for um cachorro forte, da veia da pata. Patrícia salienta que a doação de sangue não oferece qualquer risco à saúde do animal. ''O procedimento pode ser realizado a cada três meses e os cães doadores ganham alguns benefícios como check up a cada três meses, vacinas no período de um ano após quatro doações e isenção de alguns procedimentos depois de três anos de doações'', explica.
O bombeiro militar Pedro Honório Puça Neto, a esposa e a filha são doadores de sangue e levaram Rena, uma saudável e dócil pitbull de cinco anos, para praticar o gesto de solidariedade. Recebendo afagos do dono e dos estudantes de Medicina Veterinária, Rena teve um comportamento exemplar durante a coleta de sangue e ainda fez pose para as fotos. ''Pensei que ela daria mais trabalho. Ouvi o pedido no rádio e não hesitei em trazer o meu animal para ajudar a salvar outras vidas'', comenta Neto.

Serviço
- A pessoa interessada em transformar o seu cão em doador de sangue deve ligar para (43) 3371-4269 e deixar recado, informando o nome, telefone, raça e idade do cão e possível dia para a avaliação clínica e primeira doação. A coleta é feita no horário mais conveniente para o dono, mesmo nos finais de semana ou à noite.



Perfil exigido para o cão ser um doador de sangue:


✓ Ser de grande porte (macho ou fêmea), pesando mais
de 28 quilos
✓ A fêmea não pode estar no cio
✓ Ter entre 2 e 8 anos de idade
✓ ser vacinado anualmente
✓ receber alimentação e cuidados adequados
✓ ser um cão saudável, manso ou que permita manipulação na presença do proprietário

Fonte: Projeto Vida

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