Projeto vai recuperar área degradada
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Paulo Pegoraro 
Áreas de fundos de vale degradadas no perímetro urbano de Cascavel estão sendo submetidas a um amplo projeto de recuperação. Apenas no combate à erosão os investimentos chegam a R$ 1,5 milhão, com recursos próprios da prefeitura.
Parte das áreas será transformada em parques lineares, criando-se espaços para o lazer. Além da questão ambiental, o projeto contempla a qualidade de vida dos moradores, atualmente submetidos à convivência com córregos poluídos, proliferação de insetos e enxurradas que provocam erosão e alagamentos.
Os fundos de vale são de preservação obrigatória, com faixa de 30 metros intocável em cada margem dos cursos dágua. Ao longo do tempo as margens foram sendo ocupadas indiscriminadamente, inclusive com loteamentos implantados no passado sem preocupação ambiental, diz o secretário municipal de Obras, Fernando Dillemburgh.
Desde o início do ano, mais de 30 loteamentos já foram submetidos s obras de recuperação ambiental, com canalização de riachos em cerca de 30 mil metros lineares, principalmente em locais de grande erosão.
Além dos recursos próprios que estão sendo investidos, a prefeitura empregará mais R$ 6 milhões em obras que ajudarão no combate à erosão, inclusive pavimentação asfáltica, através do convênio do programa Paraná Urbano. A canalização dos córregos está sendo feita com tubos de concreto de até 150 centímetros de diâmetro, o que permite o fácil escoamento das águas.
Em apenas um destes locais, no bairro Brasília I (zona norte da cidade), estão sendo utilizados 520 tubos para a recuperação de um trecho de fundo de vale de 350 metros de extensão.
Famílias que moram nas imediações acompanham com interesse a movimentação de máquinas e trabalhadores. A dona de casa Maria Inês Ferreira Ribeiro, 35 anos, conta que ela, o marido e os dois filhos mudaram para o bairro há seis meses e não sabiam que havia tantos problemas no local.
Maria Inês relaciona lixo carregado pelas enxurradas, mau cheiro, insetos e alagamentos quando chove. No riacho, havia sempre crianças tomando banho no meio da imundície, diz, preocupada com os riscos à saúde. Mas agora estamos satisfeitos com a urbanização da área.
O secretário de Meio Ambiente Paulo Valini diz que a proposta é de implantar parques lineares na maioria dos locais, de acordo com a disponibilidade de recursos. Valini explica que, individualmente, o custo de um parque não é significativo porque compreende basicamente plantio de árvores, gramado, bancos e caminhos para passeio. Mas o custo se eleva no conjunto porque são dezenas de locais a serem trabalhados.
O principal parque linear em implantação, na região do Lago Artificial, custará R$ 350 mil, dos quais R$ 150 mil provenientes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
A secretaria já recebeu, para avaliar participação, o projeto de outro parque, no bairro Santa Cruz (zona oeste), que deve ser o mais caro de todos, com previsão de investimento de R$ 700 mil. O projeto compreende também a formação de lagos e espaços para atividades esportivas, beneficiando moradores basicamente de baixa renda.


