Projeto vai detectar falhas em doações
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de junho de 1998
Célia Baroni 
A Central de Transplantes do Norte do Paraná e Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) estão trabalhando juntas para aumentar o número de captações de córneas - membrana exterior do globo ocular - para transplante. Há cerca de 10 dias foi implantado projeto-piloto para levantar onde estão os problemas que inviabilizam os transplantes de córnea de doadores em potencial de Londrina e região.
Uma das possibilidades é a Central passar a fazer a retirada do órgão na própria Acesf. Todos os óbitos do município passam necessariamente pela Acesf. A parceria torna mais fácil para a Central controlar o número de doadores, justifica a coordenadora geral da Central de Transplantes, Elza de Lara Bezerra. Ela explica que as córneas só podem ser utilizadas até seis horas depois do óbito. O transplante demora de 40 minutos a uma hora.
É uma corrida de revezamento onde hospital, Acesf e a equipe da Central, que retira o órgão, correm contra o tempo, compara. Nos primeiros seis meses deste ano foram realizados apenas 20 transplantes em Londrina e região, representando um total de 10 doações. A fila de espera por um transplante de córnea é hoje de 225 pessoas. Lara Bezerra afirma que o número de doações é muito pequeno. Ela diz que, mesmo considerando o número de doadores descartados - com problemas clínicos ou doenças que impendem o transplante - (50%), seria possível conseguir uma doação a cada dois dias.
A coordenadora da Central diz que as famílias estão mais acessíveis. É uma mudança lenta, mas algumas têm procurado para fazer a doação. Precisamos nos organizar para poder incentivar e receber as doações, diz. Segundo ela, o principal problema tem sido a demora da liberação do corpo. Precisamos saber onde está a falha; se os hospitais estão demorando a notificar ou se a Acesf está demorando para buscar o corpo, explica.
Lara Bezerra acredita que em 30 dias o diagnóstico já esteja concluído. Se o projeto for viável, a Central de Transplantes vai passar a contar com uma sala especial na Acesf para retirada das córneas dos doadores.


