Cambé – O desafio de formar novos leitores motivou a estudante de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Kauana Scabori Santos, a participar de um projeto de extensão que aproxima alunos do 9º ano do Ensino Fundamental ao conteúdo diário da Folha de Londrina, entre outros jornais impressos. Porém, desviar a atenção dos adolescentes das páginas virtuais para o papel jornal não foi nada fácil, segundo Kauana. "Grande parte dos alunos não tem o hábito da leitura e traz consigo uma dificuldade muito grande que começa na indicação de títulos feita pelos próprios professores", avaliou a universitária.
O projeto que começou em janeiro do ano passado deve ser concluído em agosto de 2016. Ao todo, 34 alunos do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Érico Veríssimo, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), participaram das atividades em 2015. Após a realização da pesquisa teórica e a preparação das aulas pela universitária, os estudantes tiveram contato com os jornais diários. "Trabalhamos as notícias, o horóscopo com os modalizadores e adjetivos, os classificados com a análise dos verbos no imperativo e o significado das charges. É muito gratificante incentivar à leitura, o conhecimento, o acesso à informação e estimular a opinião crítica", destacou. Nos encontros semanais foram abordados conteúdos interdisciplinares, o que melhorou o desempenho dos alunos em sala de aula.
"Achei muito legal e aprendi muito sobre os jornais. Antes eu não lia muito", admitiu o estudante Leonardo Souza, de 14 anos. "Não tenho muito contato com o jornal impresso, mas leio as notícias pela internet. Achei legal trabalhar com charge. Eu não conseguia entender direito. Isso me ajudou muito", afirmou Tayná Novaes, de 13. "Essa ideia foi bem interessante porque a aula teve muita interação com o pessoal. Gostei muito de tudo", contou Vinicius de Santa, de 14.
Outro projeto aplicado a um grupo de alunos do 1º ano do Ensino Médio relacionou três livros a adaptações cinematográficas. A professora de língua portuguesa Rosângela Folini conduziu os trabalhos durante a participação no Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) ofertado pela UEL. Os títulos escolhidos foram
"A culpa é das estrelas", de John Green; "Crepúsculo", de Stephenie Meyer, e "Jogos Vorazes", de Suzanne Collins. "Foram três meses de aplicação prática em sala de aula. Fizemos sessões de cinema e apresentamos o filme antes do livro. Com base nas histórias, eles participaram de atividades relacionadas aos conteúdos dos filmes e do Ensino Médio, foi abordada a história do cinema e trabalhei com temas mais voltados para a realidade deles para que isso se torne uma motivação para a leitura dos clássicos da literatura", explicou. "Consegui atingir os objetivos e eles ficaram mais motivados. Alguns alunos não haviam lido uma obra completa até hoje", relatou a professora. "Gostei bastante do livro dos ‘Jogos Vorazes’. Só tinha visto o filme", destacou o estudante Jorge Felipe de Oliveira, de 15 anos. "Eram livros de ação e de suspense. Foi bem legal", resumiu Jennifer Brasilino, de 15 anos.
A professora da UEL, Lidia Maria Gonçalves, orientou os dois trabalhos desenvolvidos em Cambé e ressaltou a importância das novas metodologias em sala de aula. "É importante essa conexão entre a universidade e as escolas de educação básica. É importante considerar a realidade e o interesse dos adolescentes de hoje. Não adianta manter o saudosismo e querer a volta ao passado. A sociedade está em constante mudança e quanto mais interativa for a aula, mais produtiva ela será", argumentou. "A leitura é um instrumento não só para o ensino-aprendizagem. Ela é um instrumento para o conhecimento, é uma habilidade necessária para o exercício da cidadania", completou a docente.

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