Arapongas Com pincéis, tesouras e réguas nas mãos, mais de 20 crianças de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) tentam transformar a realidade reciclando caixinhas de leite longa vida. A iniciativa faz parte do Programa Vida e Cidadania, da Prefeitura Municipal, e está em fase de implantação mas a expectativa é de que esse material vire mantas com capacidade de isolar, termicamente, ambientes fechados. E são as próprias crianças que explicam, em coro, a função das caixinhas: ''quando bate o sol, o alumínio não deixa passar o calor e refresca a casa. Quando está frio, o alumínio não deixa o calor que está dentro de casa sair e fica quente.''
Bruno Rafael, de 10 anos, diz que gosta muito de trabalhar na reciclagem das caixas de leite. ''É muito legal'', fala com timidez o pequeno artesão que antes de entrar para o projeto ajudava a mãe nas tarefas domésticas depois das aulas. Rotina igual à de Fernanda Domingues dos Santos, de 10 anos, que está na 3 série. ''Aqui é muito melhor'', elogia. Além das aulas na oficina de reciclagem, a garota também recebe reforço escolar e garante que suas notas já começaram a melhorar. Pamela Evangelista, de 7 anos, cursa a 2 série e jura que não tem problemas na escola. De acordo com ela, o trabalho era difícil no início mas agora já sabe medir e recortar as caixinhas com exatidão. ''Eu gosto muito'', confessa.
Nas mãos das crianças, a monitora do projeto Syndia Mara Gonçalves Mello explica que as caixinhas são recortadas e as placas são coladas umas nas outras. Tem-se a manta térmica. Ela lembra que o projeto assiste os filhos dos trabalhadores da cooperativa que funciona na Usina de Reciclagem do município. ''Dá para ter um retorno muito bom'', aponta a monitora.
A reciclagem das caixas de leite, segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Mauro Rodrigues Mello, interessa porque a expectativa é aumentar em até 300% o valor do material. Se vendidas sem transformação, o quilo da caixa é comprado por uma empresa fabricante em Ponta Grossa a R$ 0,09. Se recicladas, a estimativa é que o metro quadrado da manta atinja mais de R$ 3,00. ''É um projeto social mas também é muito interessante como fonte de geração de renda e de qualidade de vida'', avalia Mello. E o melhor, segundo o secretário, é que a idéia não exige grandes investimentos e as mantas ainda podem receber acabamento com papel reciclado.

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