Projeto transforma tampinhas em kits para gestantes carentes
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quarta-feira, 09 de outubro de 2019
Simoni Saris - Grupo Folha 

O que é lixo para alguns se transforma em caridade nas mãos de outros. Um projeto idealizado por frequentadores de uma instituição umbandista na vila Nova, na região central de Londrina, tem levado alento a gestantes carentes com a doação de kits para os bebês. O dinheiro para a compra de banheiras, mamadeiras, chupetas e roupinhas vem da venda de tampas de garrafas pet arrecadadas entre a comunidade e em estabelecimentos comerciais parceiros do projeto.
Criado há cerca de um ano, só em 2019 o Projeto Ninho já atendeu mais de 50 mães carentes e há outras 50 grávidas à espera de ajuda. Grande parte das mães é indicada pela coordenação de uma unidade básica de saúde e para ter direito ao kit, a exigência é que tenham feito todo o pré-natal. O kit é entregue no final da gestação. Junto com uma banheira, as mães recebem roupas, sapatinhos, lenços umedecidos, pagão, cobertor, manta, mamadeira e chupeta. Se fossem comprar, teriam de desembolsar, em média, R$ 150.
A dona de casa Gabriella Fernanda Montini de Carvalho foi assistida pelo projeto há três meses. O primeiro filho dela, Ravi, estava com três meses de vida e tomava banho em uma bacia que também era utilizada nos afazeres domésticos. Ela conta que estava “meio desesperada” pela falta de condições financeiras e por ter o bebê em meio a tanta carência. “Moro em uma área de invasão, não tinha dinheiro para comprar nada para ele. Além da banheira, ganhei mantinha, toalha, body, sabonete, xampu, lenço umedecido. Foram tantas coisas e que me ajudaram tanto e ainda continuam ajudando. É horrível ver o filho da gente sofrendo, passando necessidade”, contou.
Até recentemente, os kits eram montados com doações da comunidade e o restante era adquirido pelo Centro de Umbanda Congá da Tia Maria. A ideia de coletar tampas para arrecadar dinheiro foi do dirigente da instituição, Luiz Fernando Souto de Camargo. “Vi em uma reportagem que uma ONG que ajudava animais abandonados estava fazendo isso para se manter e conseguia um valor razoável, então resolvi fazer o mesmo. As tampinhas têm mais valor do que a garrafa pet, mas tem que ser uma grande quantidade”, comentou Camargo.
Para aumentar o volume da coleta, o idealizador do projeto pediu a colaboração de proprietários de lanchonetes, mas também solicita o apoio da comunidade em geral na coleta das tampinhas. Quem tiver itens para bebês, novos ou usados, também pode doar para a instituição. Para isso, basta entrar em contato com Camargo pelo telefone (43) 99825-3766.
Com um volume maior de dinheiro, o idealizador do projeto pretende ajudar gestantes de outras unidades básicas de saúde. “Tem mais 200 gestantes que gostaríamos de atender, mas precisamos aumentar a nossa arrecadação”, disse Camargo.
BRECHÓ
Além da coleta das tampinhas, a instituição também mantém um brechó no segundo piso do Camelódromo Londrina, na esquina das ruas Sergipe e Mato Grosso. As peças vendidas no local são fruto de doações e custam R$ 5 e R$ 10. “Alugamos a loja onde funciona o brechó e com o dinheiro arrecadado já estamos pagando as contas e ainda sobra um pouco. Porém, ainda não paga o projeto. Para que isso acontecesse, precisaríamos conseguir uma grande quantidade de tampinhas.”


